quarta-feira, 20 de março de 2019

Coentro: um caso de amor e ódio. Vamos entender sobre este sentimento?



Sou o Dr. Alexandre Giffoni, nutrólogo do Hospital IGESP, e resolvi escrever sobre um tempero polêmico: o coentro. Ele é uma planta muito utilizada, principalmente, na forma de tempero, sempre presente na culinária indiana, árabe e até no Brasil pelas regiões Norte e Nordeste. No entanto, ela é uma planta que causa muita polêmica, já que há quem ame e quem odeie sua presença nos pratos. 



Mas, será que existe uma explicação científica para tanto amor e ódio a uma simples plantinha? Sim. Um dos principais componentes do coentro é uma substância química chamada E-(2)-decenal, que consta também na secreção de defesa de alguns insetos. E, como os seres humanos têm um gene chamado OR6A2, que permite sentir esse cheiro, podemos dizer que o coentro, para algumas pessoas, possa ter  cheiro e gosto de insetos.

Para os amantes da planta, entretanto, o coentro pode trazer uma série de benefícios para a saúde como: rico em polifenóis, fitoquímicos e carotenoides; ajuda no controle do açúcar no sangue; tem efeito anti-hiperglicemia por estimular a secreção de insulina; reduz o colesterol e triglicérides; tem efeito diurético; funciona como um detox do organismo; auxilia na remoção do mercúrio ingerido por água contaminada; tem função bactericida contra a salmonela e ação antifúngica.

O coentro é utilizado também como erva medicinal, ajudando a prevenir algumas doenças, reduzindo os níveis de progesterona para melhorar a fertilidade. A planta é muito consumida em receitas de remédios caseiros para resfriados, febres, náuseas, vômitos, problemas de gastrites, antiparasitas, dores reumáticas e nas juntas.

Rico em vitamina A, B1, B2, B3 e C, ele ainda conta com ácido fólico, que é um forte aliado do cérebro, faz bem ao coração, pele, unhas e cabelos, previne o câncer e melhora a imunidade. Suas folhas possuem uma concentração maior de vitaminas do que as sementes. A melhor forma de aproveitar suas propriedades, é incluí-lo na culinária em geral. Porém, pode ser usado na forma de extratos vegetais e óleos, a partir do processamento das sementes e folhas.

Como vemos, o coentro é uma erva que traz muitos benefícios para a saúde, mas o ideal é não exagerar na quantidade quando sua utilização for como tempero, já que não agrada a todos os paladares. Comece a utilizá-lo como ingrediente e vá introduzindo aos poucos na preparação das comidas do dia a dia. Quem sabe seu conceito sobre ele possa mudar? Fica a dica!

*Dr. Alexandre Giffoni, é médico nutrólogo do Hospital IGESP

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Da infância à terceira idade: como a fonoaudiologia contribui na solução de problemas

Geralmente conhecida por seus cuidados com a voz, a fonoaudiologia atua com diversos aspectos do desenvolvimento humano, envolvendo o conhecimento da estrutura neurológica e de cabeça e pescoço para a condução de atividades funcionais que devolvem ou potencializem o sistema comunicacional do indivíduo.

“Do recém-nascido ao idoso, a fonoaudiologia compreende departamentos como o de motricidade orofacial, linguagem, neuro-aprendizagem e audição, somando em processos diagnósticos e tratamentos especializados, com grande ganho para a qualidade de vida dos assistidos”, declara Irene Marchesan, uma das principais referências da área no Brasil e no exterior, com mais de 40 anos de atividades, sendo Diretora e fonoaudióloga do CEFAC – Clínica de Fonoaudiologia, possui graduação em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1977), mestrado em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1989) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1998).

Com a ajuda da profissional, listamos algumas das atribuições da fonoaudiologia no atendimento da população em todas as fases da vida: 
 
No nascimento
Já no primeiro dia de vida do bebê a fonoaudiologia está presente para a avaliação tanto da audição, realizando o teste da orelhinha, quanto da avaliação do frênulo da língua, que identifica precocemente a língua presa. Neste último exemplo, a identificação permite a rápida correção do problema com apenas um corte do frênulo, que pode ser feito ainda na maternidade. Além de favorecer a amamentação, o tratamento permite o correto desenvolvimento da fala ao longo de toda a vida.
Na infância
Em um momento crucial do desenvolvimento da fala, leitura e escrita,podem ocorrer distúrbios causados tanto pelo desenvolvimento neurológico quanto estrutural da face, incluindo aspectos comuns em doenças como autismo, Síndrome de Asperger, dislexia ou dislalia, que dificultam a comunicação, socialização e aprendizagem da criança. Em todos esses processos a Fonoaudiologia tem papel fundamental para o diagnóstico e tratamento, incluindo a parceria com as escolas e seus educadores, assim como outras especialidades médicas. 


 
Na adolescência
A adolescência é a fase de grandes transformações no corpo, que também se estendem à fala. Neste período é comum a mudança vocal, que em alguns casos, especialmente com meninos, pode ser trabalhada para a melhor condução de seus relacionamentos interpessoais. Ainda nesta etapa é comum a necessidade de correções ortodônticas, em que a fonoterapia pode somar com atividades respiratórias e vocais. 
 
Na vida adulta e profissional
Embora a voz seja um elemento importante de apresentação de todo indivíduo, em algumas áreas ou atividades profissionais ela é ainda mais exigida, como no caso de professores, cantores, palestrantes ou simplesmente pessoas que tenham a demanda de se apresentar em público com frequência, como executivos. Aspectos como gagueira, rouquidão, entonação, entre outros, são analisados e trabalhados pelo fonoaudiólogo para a obtenção de maior clareza, fluidez e segurança no processo de comunicação profissional. Ela ainda atua para o correto uso do aparelho fonador, a fim de preservar a estrutura das pregas vocais. 
 
Na terceira idade
Em meio a diversos processos degenerativos comuns nessa faixa etária, os fonoaudiólogos atuam direta e indiretamente no suporte de tratamento de doenças que afetam a audição (surdez), bem como a fala e deglutição. Câncer de cabeça e pescoço, mal de Parkinson, AVC (derrame), entre outras, tendem a deixar sequelas que afetam não apenas a fala, mas todo o processo de ingestão de alimentos, que se não tratados comprometem outras funções do idoso com sequelas graves. Em todas essas condições o tratamento fonoaudiológico tem como papel melhorar a qualidade de vida desses indivíduos, recuperando autonomia, sociabilidade e a saúde como um todo. 

Não à toa, a atuação dos fonoaudiólogos vem sendo cada vez mais reconhecida e inserida às propostas de tratamento multidisciplinar em apoio a médicos em hospitais, clínicas, bem como em escolas e empresas.

Mitos e verdades sobre a doação de Medula Óssea

O Dr. Celso Massumoto, onco-hematologista e coordenador da área de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital 9 de Julho, explica que este tipo de doação pode salvar vidas. “Os doadores voluntários, cada vez mais escassos, poderiam ajudar milhares de pacientes que esperam um transplante de medula” afirma o médico.

A doação acontece de forma rápida. O voluntário faz um cadastro e, em cinco minutos, é coletado 5ml de sangue. O material é analisado para saber se é compatível com algum paciente e para excluir a possibilidade de doenças que poderiam ser transmitidas aos pacientes que recebem as doações. Quando há a compatibilidade, é feita a coleta da medula em ambiente seguro e com toda a assistência médica necessária ao doador. 


Apesar de simples, o Dr. Massumoto explica que as pessoas ainda têm dúvidas sobre a doação. Para esclarecer esses questionamentos e reforçar a importância da doação de medula, listamos alguns mitos e verdades sobre o tema. Confira!

Qualquer pessoa pode fazer a doação – Mito. Apesar de ter poucas restrições, os doadores devem ser pessoas entre 18 e 55 anos idade que não tenham doenças infecciosas, câncer ou deficiências no sistema imunológico como Lúpus ou Diabetes tipo 1.

Estar com seu cadastro atualizado ajuda para doação – Verdade.
Para que as instituições que recebem o cadastro do doador possam entrar em contato quando aparecer um receptor para a medula, os dados precisam estar atualizados - endereço e telefones.

O processo de doação é burocrático – Mito. É possível se cadastrar como doador nos hemocentros localizados em todos os Estados. O cadastro é feito no banco de doadores, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), que é o órgão responsável por procurar voluntários compatíveis entre as pessoas cadastradas.

Posso doar mais de uma vez – Verdade. A medula se regenera em 15 dias após a doação. Caso seja encontrado um novo paciente que pode receber o transplante, a doação pode ser feita após esse período.

O doação é dolorosa - Depende. O incômodo pode ser de leve a moderado. ​A medula do doador pode ser coletada por via óssea ou venosa. Quando coletada por via óssea, o doador é anestesiado e não sente nenhuma dor. Por via venosa ocorre apenas a punção da veia que fica próxima ao quadril e a inserção de uma agulha ligada a um equipamento de aférese (processadora celular).

A doação só vale para minha cidade – Mito. O banco de dados dos doadores voluntários é universal. Caso não seja encontrado um doador no país em que o paciente está, há uma busca nos bancos de outros países. Caso seja encontrada uma medula compatível, é feita a coleta dela no pais de origem e o Governo de cada país pode transportá-la até o receptor.

Posso voltar às atividades diárias rapidamente – Verdade.
A recuperação ​é rápida. A recomendação médica são de três dias de repouso e, como a doação é prevista em lei, o doador pode se ausentar do trabalho no dia da doação e, dependendo do estado de recuperação do paciente, o atestado pode ser para três dias. 

“A informação é uma ferramenta importante para atrair novos doadores que podem salvar vidas”, finaliza o Dr. Massumoto.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Frederico Augusto: um adeus ao meu gato

Estou precisando desabafar um pouco da minha tristeza, pois o meu gato, Frederico Augusto, faleceu esta semana, precisamente no dia 19 de dezembro, uma das últimas quartas-feiras de 2018. Tão lindo, com seus olhos azuis e apenas 8 anos. 



Gostaria de voltar no tempo, até o final de 2017, quando ele começou a apresentar um problema de pele no alto da cabeça (lado direito). No começo, tentei tratar por conta própria com curativos, porque não queria colocar aquele colar quente em volta do seu pescoço, mas não teve jeito. Suas unhas arrancavam a casquinha que lentamente se formava e a ferida crescia. 

Levei-o para tratamento com veterinários, que prescreveram antibióticos, anti-inflamatórios, corticoides e pomadas. E deu certo por um tempo. Mas, em outubro passado, a lesão voltou, dessa vez do outro lado da cabeça e nas patinhas dianteiras. E lá fomos de novo na mesma toada de remédios e pomadas. Hoje, com ele longe de mim, me arrependo muito de não tê-lo levado a um homeopata em busca de terapias alternativas ou de um veterinário especialista em gatos. 


 
Na semana passada, fui com Fred a uma dermatologista, que já conhecia, para que indicasse um diagnóstico ou novo tratamento, mas o que ela fez foi aumentar a dose do antibiótico, diminuir a de corticoide e dizer que ele poderia ter dermatite atópica, como a minha cachorra. 

Eu deveria ter ouvido a minha intuição e não der aumentado a quantidade de antibiótico, ter questionado a médica a respeito, mas não o fiz. Idiotice minha, pois Fredinho passou a vomitar e quando resolvi suspender a ingestão do medicamento, ele já tinha parado de comer, ficou fraco e não mais se recuperou, mesmo com pronto atendimento do vet que já o tratava no dia a dia. Me arrependo de tê-lo levado à dermatologista e o "se" é uma palavra que me atormenta entre as lágrimas que caem. E se e tivesse feito isso ou se tivesse feito aquilo ou mais isso... 



Estou resumindo um pouco esta minha história, para dizer que pensem e questionem os veterinários que avaliam seus pets. Hoje, me sinto culpada, chorosa e com saudade desse gato lindo.  Esse texto veio da necessidade de um desabafo, mas não será o primeiro sobre o Frederico Augusto. São tantas fotinhos lindas que tenho deste meu "conde", que vou contar em outro post sobre seus encantos e os aprendizados desta jornada, que preciso compartilhar para homenageá-lo.


Nós
  

sábado, 3 de novembro de 2018

Receita: Peixe em crosta de nozes com purê de maçã e damasco


Um dos principais alimentos da cozinha saudável, os peixes são pobres em sódio, gorduras e calorias e contêm menos gordura saturada e colesterol que outras carnes. Nesta receita, o peixe é enriquecido com nozes e iogurte, ajudando a reduzir as calorias. A maçã e o damasco são uma alternativa para o purê de batatas, aumentando a quantidade de fibras da receita,  enviada pela Electrolux, em parceria com a especialista Cinthya Maggi.




Ingredientes 
4 filés de tilápia (400g) 
1 colher (chá) de sal 
1 pitada de pimenta caiena 
1 pote de iogurte 
1 xícara (chá) de nozes 
2 colheres (sopa) de azeite  

Purê de Maçã e Damasco 
2 maçãs picadas, sem casca 
100g de damasco seco 
2 colheres (sopa) de suco de limão 
4 colheres (sopa) de açúcar demerara 
1 colher (chá) de gengibre picado  

Para enfeitar 1 limão  

Preparo Tempere os filés de tilápia com o sal, a pimenta e o iogurte. Coloque as nozes no mini processador do Mixer Expressionist IBP50 e triture rapidamente. Despeje a farinha obtida em um prato e empane os filés. Ponha-os em uma assadeira untada com metade do azeite e pincele com o restante. Leve ao forno médio (200°C), preaquecido, por cerca de 30 minutos.   

Para o purê: coloque em uma panela as maçãs, o damasco, o suco de limão, o açúcar demerara e o gengibre. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por cerca de 10 minutos ou até amolecer as maçãs e o damasco. Retire a panela do fogo e com o auxílio do Mixer Expressionist IBP50, bata até virar um creme. Corte rodelas de limão, faça um corte no meio e torça, formando um twist. Enfeite os pratos e sirva.  

Receita: Muffin Integral de Maçã


Elaborada por Cyntia Maureen, nutricionista e consultora da Superbom, a receita de Muffin Integral de Maçã é uma ótima opção para comer no café da manhã ou no lanche da tarde, e também muito prática, fácil de levar para a escola, faculdade ou trabalho. “Pelo fato de ser rica em fibras, a maçã contribui para a melhora da saúde intestinal e cardiovascular. Também possui ação preventiva contra o câncer”, afirma a especialista.



Ingredientes
  • 4 xícaras de farinha de trigo integral
  • 3 xícaras de açúcar mascavo ou adoçante em pó (forno e fogão)
  • ¾ xícara de óleo
  • 2 xícaras de leite vegetal
  • Canela a gosto
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara de uvas passas
  • 2 maçãs picadas
  • 2 colheres de sopa de fermento químico

Modo de Preparo
Em uma tigela, coloque os ingredientes secos, menos o fermento. Em seguida, acrescente o leite e mexa até formar uma massa homogênea. Acrescente as maçãs, as uvas passas e misture. Em seguida, adicione o fermento e mexa devagar. Coloque em uma forma untada com o óleo e leve para assar em forno preaquecido por cerca de 40 minutos.

Rendimento:
20 pessoas.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Baby & KIDS: DOZE PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

O novo Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos, do Ministério da Saúde esteve em consulta pública até 25/08/2018. Conforme descrito no próprio guia, ele “traz recomendações e informações sobre como alimentar a criança para promover saúde e desenvolvimento para que alcance todo o seu potencial. Dúvidas mais comuns, explicações fundamentadas e orientações práticas sobre o aleitamento materno e a alimentação no começo da vida estão aqui reunidas”.


Essas recomendações são voltadas para a família, em linguagem acessível e de forma prática. A versão online ainda é provisória, mas vale a pena ressaltar, de forma resumida, algumas mudanças apresentadas nos novos DOZE PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL.
“Não precisamos esperar a sua publicação oficial para dedicarmos atenção a esses 12 itens que podem, também como está no guia, trazer orientações resumidas para amamentar e alimentar corretamente a criança, com dicas que abrangem também toda a família”, explica o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Conheçam, então, os agora dozes passos (eram Dez Passos, lembra?) que podem realmente fazer a diferença na saúde das crianças e de suas famílias.

Amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite materno até 6 meses O leite materno é muito importante para a criança até 2 anos ou mais, sendo o único alimento que a criança deve receber até 6 meses, sem necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento. Começar a amamentação logo após o nascimento, na primeira hora de vida, traz benefícios para a criança e para a mãe. “A composição do leite materno é única, personalizada e atende as necessidades nutricionais da criança conforme a sua idade, protege contra doenças na infância e na vida adulta, ajuda o desenvolvimento do cérebro e fortalece o vínculo entre mãe e criança. A existência de uma rede de apoio à mãe que amamenta é importante para o sucesso da amamentação”, afirma o pediatra.

Oferecer outros alimentos, além do leite materno, a partir dos 6 meses O consumo de outros alimentos além do leite materno passa a ser necessário para o pleno crescimento e desenvolvimento da criança. Ofereça refeições preparadas com alimentos in natura e minimamente processados e continue amamentando até os 2 anos ou mais. O número de refeições ao longo do dia e a quantidade de alimentos oferecidos devem aumentar conforme a criança cresce para suprir suas necessidades. “Essas refeições podem ser dadas cerca de 3 vezes ao dia aos 6 meses, 4 vezes ao dia, entre 7 e 11 meses, e 5 vezes ao dia, a partir dos 12 meses, podendo variar em função do apetite e da rotina da família. Ao completar um ano a criança já deve estar fazendo as principais refeições com a família (café da manhã, almoço e jantar), além de lanches/merenda e do leite materno”, diz o médico.

Oferecer água própria para o consumo à criança em vez de sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas Água é alimento e deve fazer parte do hábito alimentar desde o início da oferta dos outros alimentos. A água é essencial para a hidratação da criança e não deve ser substituída por nenhum líquido, como chá ou suco, muito menos refrigerante ou outras bebidas ultraprocessadas. “Habituar a criança a ingerir essas bebidas açucaradas aumenta a chance de a criança apresentar excesso de peso e cárie dentária, além de desestimular o consumo de água. Ofereça água para a criança mesmo sem ela pedir”, recomenda Chencinski.

Alimentar a criança com alimentos in natura e minimamente processados A alimentação da criança deve ser composta por comida de verdade, isto é, refeições feitas com alimentos in natura e minimamente processados de diferentes grupos (por exemplo feijões, cereais, raízes e tubérculos, frutas, legumes e verduras, carnes). “Refeições com maior variedade de alimentos são as mais adequadas e saudáveis para a criança e toda a família. Varie a oferta de alimentos ao longo do dia e ao longo da semana”, orienta o pediatra.

Oferecer a comida na consistência espessa quando a criança começar a comer outros alimentos além do leite materno A comida com consistência espessa é a adequada à criança e contribui para seu desenvolvimento, além de conter mais energia e nutrientes. A mastigação estimula o desenvolvimento da face e dos ossos da cabeça. Desde o início o alimento deve ser espesso o suficiente para não “escorrer” da colher. No início, amassar os alimentos apenas com o garfo e picar bem os alimentos mais duros, como carnes, é o bastante. “Para deixar na consistência adequada, não bata no liquidificador e nem peneire os alimentos. Nos meses seguintes, amasse cada vez menos e comece a oferecê-los em pedaços pequenos. Por volta de um ano, a criança estará preparada para comer os alimentos com a mesma consistência da família”, explica Moises Chencinski.

Não oferecer açúcar à criança até 2 anos de idade O consumo de açúcar não é necessário e causa danos à saúde como cáries, obesidade e doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e câncer. Além disso, acostumar a criança desde cedo ao sabor excessivamente doce pode causar dificuldade de aceitação dos alimentos in natura e minimamente processado. “Não inclua na alimentação da criança nem mel, nem açúcar de qualquer tipo (mascavo, demerara, cristal ou refinado (“branco”) rapadura, melaço), nem ofereça preparações e produtos prontos que contenham algum desses ingredientes. Os adoçantes (em pó ou líquido) também não devem ser usados na alimentação da criança até 2 anos, pois contém substâncias químicas não adequadas nesta fase da vida”, diz o pediatra.

Não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança Esses alimentos são pobres em nutrientes e contêm muito sal, gordura e açúcar, além de aditivos, como adoçantes, corantes e conservantes. O consumo desses alimentos pode levar a problemas como hipertensão, doenças do coração, diabetes, obesidade, cárie dentária e câncer. Eles também geram impactos no meio ambiente, tanto no seu processo de fabricação nas indústrias como na geração de lixo das embalagens, e na cultura alimentar, por restringir as práticas alimentares das famílias. “Os ultraprocessados são vendidos em embalagens atrativas e com rótulos que descrevem a sua composição. Na sua lista de ingredientes é comum encontrar 5 ou mais itens pouco conhecidos, muitos deles, com nomes estranhos e que não são utilizados na cozinha de casa. Fique atento, pois alguns alimentos ultraprocessados são vistos como alimentos infantis e saudáveis e frequentemente oferecidos às crianças”, alerta o médico.

Cozinhar para a família e para a criança a mesma comida usando alimentos in natura e minimamente processados A chegada de uma criança é a chance de melhorar a alimentação de toda a família. Preparar a mesma comida para todos, com alimentos in natura e minimamente processados, sem excesso de gordura, sal e condimentos, agiliza o dia a dia na cozinha e é uma oportunidade de oferecer uma alimentação adequada e saudável à família e à criança. “Planejar a alimentação da semana, organizar as compras para ter os alimentos em casa e usar técnicas como congelar parte dos alimentos são estratégias que facilitam o cozinhar e garantem comida de verdade todos os dias e em todas as refeições”, observa Moises Chencinski.

Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento experiências positivas, aprendizado e afeto A criança desde cedo é capaz de comunicar quando quer se alimentar ou quando já está satisfeita. Os sinais de fome e saciedade devem ser reconhecidos e respondidos de forma ativa e carinhosa. Alimentar a criança é um processo que demanda paciência e tempo. Estimule a criança a comer, mas sem forçá-la, nem mesmo quando ela estiver doente. “Além da comida que vai no prato, o modo como ela é dada à criança também é importante. Dê atenção à criança e evite distrações como televisão, celular, computador ou tablet nesta hora, pois podem dispersar a criança, tirando o foco do alimento em seu momento. O prazer da alimentação está nos sabores, odores e na forma como a comida é oferecida”, afirma o pediatra.

Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança Cuidados com a alimentação e a higiene previnem doenças na criança e na família. “Lave as mãos sempre que for cozinhar, alimentar, cuidar da criança, depois de usar o banheiro, de trocar a fralda e de realizar outras tarefas no cuidado da casa. Quando a criança for comer, também lave as mãos dela”, recomenda Chencinski.

Oferecer à criança alimentação adequada e saudável também fora de casa É possível manter a alimentação saudável fora de casa. Em passeios, festas e quando for às consultas com a equipe de saúde, continue ofertando os alimentos que a criança come em casa, pois alimentos in natura ou minimamente processados podem ficar até 2 horas em temperatura ambiente. Mesmo o almoço e o jantar podem ser levados em recipientes térmicos. “Informe-se sobre os alimentos ofertados em creches e outros espaços de cuidado da criança e converse a respeito da prática de uma alimentação adequada e saudável com as pessoas envolvidas nesse cuidado”, afirma o pediatra.

Proteger a criança da publicidade de alimentos A criança facilmente confunde a realidade, programas televisivos e publicidade, não sabendo distinguir um do outro. Isto ocorre porque ela não tem desenvolvida a capacidade de julgamento e decisão e confunde a realidade com a ficção da publicidade. “É crucial que ela seja protegida, evitando ao máximo a sua exposição à publicidade. Este é um dever de todos. Crianças menores de 2 anos não devem utilizar televisão, celular, computador e tablet”, recomenda o médico.

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