quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Nutrição Funcional & Alimentos Brasileiros: um caminho para a Longevidade" - conheça o livro

Foi lançado em setembro de 2019, o livro "Nutrição Funcional & Alimentos Brasileiros: um caminho para a Longevidade", de autoria de 4 supernutricionistas: Valéria Paschoal, Natália Marques, Ana Beatriz Baptistella e Renata Alves Carnaúba. A publicação apresenta um panorama sobre vários aspectos do envelhecimento, incluindo esclarecimentos sobre as alterações fisiológicas, a preparação dos indivíduos para esta etapa da vida e orientações para o próprio nutricionista, que precisa estar atento para esta transição. 

Afinal, são várias as questões que o profissional precisa conhecer para melhorar a qualidade de vida do idoso. Também são apresentados alguns dados da fisiologia, sobre as principais ações do envelhecimento com o objetivo de nortear as ações do nutricionista no atendimento a este paciente. 

O livro apresenta também as principais revisões dos padrões alimentares associados a melhor qualidade de vida e envelhecimento mais saudável. 



Outro importante destaque do livro são as receitas com PANC – Plantas Alimentícias não Convencionais e alimentos da biodiversidade brasileira, que possuem muitos compostos bioativos, antioxidantes e anti-inflamatórios, essenciais para o processo de envelhecimento saudável. 

Sobre as autoras 

Dra. Valéria Paschoal 
Nutricionista. Mestre na área de Nutrição e Pediatria pela UNIFESP – EPM. Editora Científica da Revista Brasileira de Nutrição Funcional. Diretora da VP Centro de Nutrição Funcional. Instagram: @dravaleriapaschoal

Dra. Valéria junto com outras autoras do livro

Dra. Ana Beatriz Baptistella 
Nutricionista Clínica Funcional, docente dos cursos de pós-graduação e Coordenadora Cientifica da VP - Centro de Nutrição Funcional. Instagram: @anabia_nutri 

Dra. Natália Marques 
Nutricionista, especializada na área de Materno Infantil, Nutrição Esportiva Funcional, Fitoterapia, Agricultura Biodinâmica. Mestre na área de Nefrologia da UNIFESP. Doutora na área de Dermatologia da UNIFESP. Coordenadora dos cursos de Pós-Graduação em Nutrição Clínica Funcional e Fitoterapia Funcional da VP Centro de Nutrição Funcional. Instagram: @dranataliamarques

Dra. Renata Alves Carnaúba 
Nutricionista, Doutoranda em Ciências dos Alimentos pela Universidade de São Paulo, Especialista em Revisão Sistemática e Meta-Análise pela Universidade de São Paulo, Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional e pós-graduada em Genômica Nutricional pela Universidade Cruzeiro do Sul e Nutricionista do Dpto Científico da VP Centro de Nutrição Funcional. @reacarnauba 

Ficha Técnica 
Nutrição Funcional & Alimentos Brasileiros: um caminho para a Longevidade 
Autoras: Valéria Paschoal, Natália Marques, Ana Beatriz Baptistella e Renata Alves Carnaúba 
VP Editora 
Número de Páginas: 128+capa 
Formato: 15,0x21,0 cm – 4 cores 
Preço no site: R$ 75,00 
Mais informações: www.vponline.com.br

Aproveite e leia aqui no blog outras matérias sobre nutrição, como esta sobre os substitutos da carne e do leite na dieta vegetariana.


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

SAÚDE: Tamo junto no setembro amarelo e ao longo de todos os outros dias


*Fernanda Zacharewicz

Pediram-me um pequeno artigo sobre prevenção ao suicídio. Passava longe de mim a ideia de escrever sobre isso e, de repente, cá estou eu, sentada escrevendo essas linhas. Perdi o sono, acordei ainda escuro, madrugada alta, e só consegui levantar-me da cama quando os pássaros começaram a cantar. Pensei: é isso. A escuridão se vai e o canto dos pássaros prenuncia a possibilidade de um novo dia. Soa meio piegas, mas é isso. Prevenir o suicídio é possibilitar que o atravessamento da escuridão seja possível, possibilitar que os ponteiros do relógio sigam seu movimento, que o tempo corra além da dor.

Poderia escrever o texto abordando as estatísticas que mostram o crescimento da taxa de suicídio, principalmente entre adolescentes. Mas decidi guiar a pena por outros caminhos, pela dor que dilacera e se congela no momento do ato suicida. Aí, nesse instante o tempo para e não se apresenta saída.

Esses dias li que um grupo evangélico já evitou mais de 80 suicídios em uma ponte de Natal, desde que passou a acampar por lá justamente com esse objetivo. O grupo se chama “Sentinela de Cristo”. E chamo a atenção para a palavra “Sentinela” que segundo o Houaiss é aquele que vigia, que vela. Acrescento o que ouço desse significante: aquele que está a postos. Nesse caso, a postos no momento no qual a dor está insuportável.

Nesse momento eles estão lá, a postos, disponíveis para resgatar, ouvir, fazer passar o segundo crucial, esticar o tempo até que o relógio possa ser ajustado e a dor encontre vias de escoamento. Desde a ponte Newton Navarro (onde fica o acampamento) esses sujeitos tornam-se pontes para uma saída possível. Do abismo que se apresentava, a uma nova rota que se abre.

Foi publicada uma nota sobre um segurança do metrô que evitou que um adolescente se jogasse nos trilhos. A reportagem trazia a foto do segurança no chão, sentado ao lado do garoto. Graças a esse olhar atento, o menino encontrou outras trilhas.

Aqui há duas considerações importantes a fazer: a primeira é sobre a disponibilidade para o outro. Estar disponível para escutar o semelhante é mais do que abrir espaço na agenda do consultório, ou sair das redes sociais e ir tomar aquele café com o amigo. Esses atos não são irrelevantes, mas não bastam. Quanto não ouvimos de parentes e amigos de vítimas “Mas eu falei com o fulano ontem”, “Ela até me ajudou arrumar as coisas para o piquenique” ou “Havíamos reservado a passagem para a viagem”!

A disponibilidade é construída ao longo do tempo, refiro-me aqui não ao tempo cronológico, mas ao tempo kairós, tempo interno, tempo compartilhado no “um pouco de mim também é seu, não tudo, mas um pouco. Quando precisar, esse pouco vai ser todo por um momento e eu vou estar ali, inteira para você.”

Fernanda Zacharewicz é psicanalista e editora
O segundo ponto é a comunidade. Conheci uma escola na qual houve um caso de tentativa de suicídio. Foi impressionante o quanto esse episódio fez questão para toda a comunidade escolar. E foram muito além dos questionamentos usuais: “O que não estamos escutando de nossos alunos?”, “Em que podemos ficar mais atentos”. Toda a comunidade se mobilizou. Pequenas implicâncias entre as pessoas sumiram. Toda a família do aluno foi chamada a participar de diversas atividades escolares, os colegas se dispuseram a escutar seu amigo, curso de prevenção ao suicídio foi integrado à grade curricular e oferecido a toda a comunidade (pais e funcionários) que compareceu em grande número. Diversas famílias abriram as portas de suas casas e acolheram o sofrimento, puseram-se a escutar. Falou-se, falou-se e falou-se ainda um pouco mais sobre isso. E os fantasmas sobre o episódio e o sujeito foram caindo, aos poucos o tempo que foi destinado à escuta da dor e do sofrimento deu lugar ao verdadeiro acolhimento, o relógio passou a andar marcado pelas atividades cotidianas, esse sujeito com sua história estava novamente integrado à comunidade e a vida seguia seu rumo.

Meu ponto é que sozinhos não vamos conseguir. Todos os horários que eu abrir no consultório não serão suficientes, todo o amor familiar não será suficiente. Somos no divã e além dele, somos no condomínio em que vivemos e além dele, somos no pequeno grupo de amigos e além dele. Há que unir esforços: que venham evangélicos, umbandistas, judeus, psicanalistas, psicólogos, médicos, grupos como o Centro de Valorização da Vida (CVV), freiras, padres, manicures, cobradores de ônibus, professores, seguranças do metrô... que venham todos! Precisamos de toda a comunidade para escutar e acolher o semelhante.

E quanto a mim: I’ll be there for you.

*Sobre a autora: Fernanda Zacharewicz é psicanalista e editora. Atuou como professora universitária. Doutora em Psicologia Social pela PUC/SP. Decidiu seguir suas grandes paixões: o consultório e a Aller, editora de psicanálise, da qual é sócia.

sábado, 21 de setembro de 2019

Vai ter festa! Villa Blue Tree abre as portas para promover eventos sociais


Vamos falar para vocês do espaço de eventos Villa Blue Tree, localizado na Zona Sul (R. Castro Verde, 266 ) - até pouco tempo mais conhecido como Villa Noah. Estive em um evento lá  no dia 23 de agosto de 2019  - o Dreams Day, que tinha como objetivo apresentar a gastronomia e o espaço de evento para o mercado social de noivos, assessores de casamento, fornecedores, agências de formaturas e organizadores de eventos corporativos. Meta que foi realizada com êxito e vou mostrar muitas fotos aqui para vocês.  

Mesa e arranjos florais.

O encontro, que reuniu cerca de 160 pessoas, contou com a parceria da Credencie, Bares SP, Marisa Bueno, Pinelli, Nova Noiva, Sangroup, Musicaria Ilimitada, Néctar Flores, Alessandra Tonissi, San Grupo, Casa Tiffany, Loc Festa, AVI Produções Técnicas para Eventos, Began Lustres, Kykah Doces, Sonho em Papel, Game Ambulância, KC Terceirização de Serviços, Circuito Geradores, Hot Vallet e Guina’s Design. 
Detalhes da decoração
De acordo com o gerente de Vendas e Marketing do Villa Blue Tree, Tiago Bertoncel, o espaço está investindo cada vez mais no segmento social. “Com boas parcerias, trazemos inovação, criatividade e soluções em produtos. No primeiro semestre, já crescemos 25% na realização de eventos sociais, em comparação ao mesmo período de 2018. Vamos oferecer sempre um mundo de possibilidades aos nossos clientes”, comentou. E trazem, agora, a força da marca Blue Tree, fortemente reconhecida no segmento de hotelaria.


A locação das salas é definida de acordo com o perfil da festa, inclusive é possível realizar o casamento religioso por lá, montar a pista de dança e o que for parte dos sonhos das pessoas.

A empresa anunciou, que no início de 2020, realizará a quarta edição do “Sweet Day”, roadshow com apresentações inovadoras de festas sociais e rodadas de negócios. Com o tema “Volta ao mundo”, cinco salas do espaço serão decoradas com inspirações nos pontos turísticos da França, Japão, Inglaterra, Itália e Caribe, oferecendo um diverso leque de oportunidades para os mais diversos tipos de eventos. Então, podemos aguardar este evento e já anotar na agenda. Aproveite para apreciar as demais fotos da noite, incluindo o delicioso jantar. 

docinhos

Hora dos drinks Sangroup
Mais docinhos
Outra sala decorada para eventos

Moscow Mule da SanGroup

Outro ângulo do evento
Linda mesa decorada
Bolo para casar
Apaixonada por arranjos e doces maravilhoso

Euzinha (Chris Santos) na festa
cardápio do jantar
Momento Glamour de Luzes
Veja mais detalhes da festa neste vídeo produzido por mim para o blog Glamour e Felicidade ;) 



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

RECEITA: Versatilidade da aveia ganha espaço na gastronomia

Muffin Farroupilha homenageia data tipicamente gaúcha, valorizando a aveia
Crédito: 
Ferrão Fotografias


Alimento funcional, reconhecido pelos seus benefícios para a saúde e tradicional em dietas nas quais se busca qualidade de vida, a aveia está ganhando cada vez mais espaço na gastronomia.  
Muito além do mingau, atualmente não é raro encontrar o cereal em receitas diversas, como bolos, pizzas, tortas salgadas, sopas, entre outras.
Entusiasta da utilização de aveia na culinária, a chef Mônica Ruschel defende o uso do alimento que, para ela, tem grande versatilidade.    
Criadora de várias receitas com aveia, em homenagem ao 20 de setembro – data tradicional gaúcha, ela desenvolveu o “Muffin Farroupilha” e abre a receita para quem também é adepto do cereal.

Muffin Farroupilha
Muffin Farroupilha / Crédito: Ferrão Fotografia
Ingredientes

250 gramas de Charque de traseiro bovino
1 cebola grande
1/2 pimentão
1 colher de chimichurri seco
4 ovos
1colher de chá de sal
3 colheres de chá de açúcar
100 ml de leite
6 colheres de óleo de milho
100 gramas de farinha de aveia Naturale
100 gramas de flocos finos de aveia Naturale
3 colheres de amido de milho
1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de preparo
Dessalgar o charque, refogando com a cebola, pimentão e chimichurri. Acrescentar água aos poucos até o charque ficar macio.
Desfiar e reservar.
Para a massa: misturar os ovos, o açúcar, o sal, o óleo de milho, o leite.
Acrescentar a farinha de aveia Naturale, os flocos finos de aveia Naturale, o amido de milho, o fermento em pó. Misturar bem e deixar descansar por 10 minutos.
Montar os muffins com a massa e o charque desfiado.
Decorar com tomates cereja e queijo em cubos.
Levar ao forno pré-aquecido a 180° por 40 minutos. Rende 10 muffins.  

Aqui no blog Glamour e Felicidade, temos também deliciosas receitas de vitaminas com aveia.




terça-feira, 17 de setembro de 2019

NUTRIÇÃO: Substitutos da carne e do leite: alternativas proteicas para uma dieta vegetariana

Imagem de RitaE por Pixabay 

Por Daniel Magnoni * 

Quando falamos de alimentação vegetariana ou vegana, uma das primeiras questões que surgem como pauta é relacionada a adequação de proteínas. Como já sabido, dietas vegetarianas são marcadas pela exclusão de alimentos de origem animal, como peixes, carnes, aves e seus derivados, podendo ou não fazer o consumo de laticínios ou ovos -  como no caso de indivíduos veganos (vegetarianos estritos).   

Nesse sentido, a restrição de produtos de origem animal, conhecidos por serem uma completa fonte proteica, requisita uma atenção maior na escolha de alimentos de origem vegetal que supram as necessidades de proteína de maneira efetiva, adquirindo todos os aminoácidos essenciais e atendendo às demandas de outros nutrientes importantes como ferro, cálcio e vitamina D.  


Ao contrário do que muitos pensam, a proteína vegetal pode facilmente satisfazer às necessidades diárias do nutriente, mas desde que haja o consumo variado de alimentos fonte combinado com ingestão energética adequada.  

Um dos caminhos mais comuns encontrados pelos vegetarianos para ajustar os níveis de proteína da dieta é o consumo de soja. Conhecida por ser uma boa opção proteica, com teor total variando de 36% a 46%, a soja apresenta extensa versatilidade na produção de produtos análogos da carne e do leite, tornando-se um importante alimento no plano alimentar de indivíduos que realizam restrição do consumo animal.   

Um grande exemplo de produto de soja que pode ser utilizado como substituto da carne, contendo inclusive textura e aparência semelhante, é a Proteína Texturizada de Soja (PTS). A soja in natura e outros produtos como tofu, fermentados de soja e proteína isolada de soja também são opções de consumo, sendo que esta última pode ser adicionada à diversas preparações ou refeições para aumentar seus valores nutricionais.    


Além do consumo de soja em si, uma excelente estratégia para obter todos os aminoácidos essenciais presentes na carne é a mistura de cereais e leguminosas, como por exemplo, a clássica combinação de arroz e feijão. As leguminosas fornecem quantidades adequadas dos aminoácidos lisina, leucina e arginina. Por sua vez, os cereais são boas fontes de triptofano e metionina. Assim, a associação entre cereais e leguminosas proporciona prontamente uma adequada ingestão proteica, melhorando o perfil de aminoácidos da dieta.  


Quanto aos substitutos do leite, existe uma vasta gama de possibilidades, mas é muito importante atentar-se ao perfil nutricional de cada um. Apesar das vantagens como a ausência de colesterol e melhor perfil de gorduras, as alternativas de leite com base vegetal ainda possuem diferenças importantes entre si e que devem ser levadas em consideração.   


Leite de soja 
Imagem de bigfatcat por Pixabay
Em termos nutricionais, o extrato de soja é uma das melhores alternativas para substituir o leite de vaca, tendo em vista que dentre as opções vegetais, é a que mais se assemelha em quantidades de proteína e outros nutrientes. Entretanto, para alguns, a desvantagem no extrato de soja encontra-se no sabor desagradável, uma queixa frequente entre os consumidores.

Leite de amêndoa   O extrato de amêndoa é muito popular pelo seu sabor e aroma. Possui um bom teor de gorduras monoinsaturadas, proteínas, fibras, vitamina E, além de uma menor quantidade de calorias.

Leite de arroz
Com relação ao extrato de arroz, este possui uma quantidade elevada de carboidrato, inclusive maior que o leite de vaca. Não deve ser utilizado como um substituto, já que carece de proteínas e minerais como o cálcio. O conteúdo de cálcio presente nesta opção de leite vegetal normalmente provem da fortificação da indústria, que adiciona o mineral para imitar os níveis presentes naturalmente no leite de vaca.  

Leite de coco  
Muito utilizado na culinária brasileira, o extrato de coco também não é visto como um bom substituto para o leite de vaca. Apesar de possuir ácido láurico, que de acordo com estudos pode aumentar o colesterol bom (HDL) e diminuir o colesterol ruim (LDL), o produto possui uma elevada quantidade de gordura saturada e diversidade limitada de nutrientes.  

*O conteúdo de cálcio presente nestas opções de leite vegetal normalmente provem da fortificação da indústria, que adiciona o mineral para imitar os níveis presentes naturalmente no leite de vaca. 


A dieta vegetariana proporciona diversos benefícios à saúde, desde que devidamente orientada. Um plano alimentar bem planejado, variado e com a seleção adequada de alimentos fornece facilmente todos os nutrientes necessários, mesmo sem a ingestão de alimentos de origem animal. Sob esses cuidados, a alimentação vegetariana é considerada muito saudável, sendo capaz de auxiliar na redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis e melhorar a qualidade de vida de quem a adota.  

• Daniel Magnoni, consultor da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV), diretor de Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração – Hcor, Mestre em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; especializado ainda em Clínica Médica, Nutrologia e Nutrição Parenteral e Enteral pela Associação Médica Brasileira – AMB / Conselho Federal de Medicina – CFM 





sexta-feira, 13 de setembro de 2019

SAÚDE: Família é “paciente oculto” e deve ser tratada junto com o doente, diz médico humanista

Imagem Freepick


Em recente artigo publicado na revista mexicana “Archivos en Medicina Familiar”, o médico Vinícius Rodrigues da Silva conta como foi passar de paciente – depois do diagnóstico de um câncer na tireoide – a médico humanista. “Perceber a importância da equipe multiprofissional que tratou a mim e a minha família, que era um paciente oculto, me fez ingressar no projeto da Sobramfa – Educação Médica & Humanismo para me capacitar nesse tipo de atendimento que leva em consideração a história e as narrativas de cada doente. Ainda que possa existir uma doença igual a outra, não existe um paciente igual a outro. Cada um traz consigo recursos internos que o tornam um ser único”. Na opinião do jovem médico, tratar clinicamente pode até parecer uma tarefa desafiadora, mas é incomparável o resultado quando se trata o paciente com carinho, zelo e humanismo.

De acordo com Pablo González Blasco, fundador da Sobramfa que há 30 anos dedica esforços na formação médica humanista, a tecnologia substituiu parte da história clínica em medicina. “A genética permite predizer o risco de inúmeras doenças. Mas não está tão claro qual é o benefício real para o paciente. Ou seja, tudo está muito focado na doença, mas quem adoece é a pessoa. É preciso reforçar o objetivo principal do médico, que continua sendo o juramento hipocrático: curar, aliviar e/ou acompanhar o paciente. Mas não exatamente nessa ordem, como se confortar o paciente fosse um prêmio de consolação quando não se consegue a cura de sua doença. Confortar é algo que deve ser feito sempre, pela altíssima prevalência. O curar apresenta uma prevalência muito menor. Por isso, a educação médica deve contemplar essa proporção para produzir melhores médicos. Trata-se de um caso muito claro de que a ordem dos fatores altera o produto”. 

Blasco defende a tese de que o erro médico, por exemplo, é sobretudo uma insuficiência no campo humanístico. “O que protege o médico é a confiança do paciente, bem como da família do paciente.  Quando o profissional aparece como um técnico brilhante, mas se mostra incapaz de se aproximar do paciente e sintonizar com sua afetividade, o risco de enfrentar adversidades parece maior. Quando nos aprofundamos nas queixas do paciente – seja por imperícia, seja por falha técnica –, sempre encontramos insuficiência no terreno afetivo. Descobrimos, então, que todo aquele ‘erro médico’ começou porque ‘o médico nem me examinou’, ou porque ‘o médico não explicou nada para mim ou para minha família do que poderia acontecer’ e ‘nem prestou atenção no que estávamos falando’. O golpe que se acusa é sempre na alma, não na deficiência técnica; essa vem depois, para dar corpo ao processo”. 

O sofrimento humano e a morte são realidades no quotidiano do médico. Por que, então, se vê um despreparo crescente do profissional em lidar com essas situações?  Na opinião de Blasco, o gerenciamento da morte implica em se perguntar a todo o momento sobre o que é melhor para o paciente, antes de tomar as medidas “de praxe”, como internações desnecessárias, transferências para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tratamentos ineficazes quando se trata do processo de morrer. “É fundamental que o médico, em determinadas situações, converse franca e carinhosamente com a família, embora sem dividir responsabilidades, assumindo a conduta com caráter profissional. O gerenciamento da morte implica diretamente no cuidado simultâneo do paciente e da família. A família coloca questões que têm pouco caráter técnico, mas de vital importância. Quer saber, por exemplo, se o paciente está sofrendo e se pode ser feita alguma coisa a mais. E sempre requer explicações do que está acontecendo”.

Quando o quadro do paciente é grave e pouco ou nada se pode fazer para revertê-lo, vale dizer que ele sabe mais do que o médico imagina que sabe. É um sentido a mais que a condição de moribundo lhe confere. Por isso, espera do médico realismo, conforto e acompanhamento profissional. Para ele e para sua família. Portanto, há que se preparar médicos cada vez mais aptos a vivenciar esse tipo de situação inerente à sua profissão. “Vivemos tempos em que a morte é elemento quase ignorado. Mas, na prática, há duas coisas infalíveis na vida de um ser humano: sua limitação e sua morte certa. Numa sociedade que foge sistematicamente da dor, que cultua o prazer como meta suprema, não é de se estranhar que o enfrentamento da morte se dê em inferioridade de condições. Saber morrer é, antes de tudo, saber viver, pois a morte é o último passo no caminho da vida. Essas considerações são de capital importância, independentemente da profissão que se desempenha. No caso do médico, cuja matéria‐prima de atuação é o ser humano, trata-se de uma condição imprescindível de competência”, conclui Blasco. 


Fontes:
Dr. Vinícius Rodrigues da Silva, médico que integra o Projeto de Capacitação em Medicina Humanista da SOBRAMFA.

Prof. Dr. Pablo González Blasco, Doutor em Medicina e diretor científico e fundador da SOBRAMFA - Educação Médica & Humanismo, www.sobramfa.com.br

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

SAÚDE: Diferenças entre tendinite e lesão no ligamento


Imagem Freepick


A tendinopatia anserina - também conhecida como tendinite da pata de ganso, porque o local onde o tendão se insere lembra o pé de um pato - acontece quando há uma inflamação de um tendão no lado medial (interno) do joelho. A bursa ou pequeno saco fluido também pode se tornar inflamado, causando dor, dando o nome de bursite anserina.

Sintomas

É difícil distinguir a tendinite anserina de uma lesão do ligamento medial, porque os sintomas são semelhantes, e ambas são suscetíveis a dor quando sobrecarregamos o interior das articulações do joelho e da perna. Os sintomas incluem dor ao longo do interior do joelho, em especial na parte inferior com irradiação para a perna. A dor pode ser sentida ao subir escadas ou quando contraímos os músculos isquiotibiais contra a resistência. Alongar os músculos isquiotibiais também podem causar dor ( chamados de músculos femorais. Estão localizados na parte posterior da coxa e têm como função permitir a articulação do quadril e a flexão da articulação do joelho)

Causas


A tendinite da perna é uma inflamação combinada do músculo semitendinoso (um dos tendões), do sartorius (o músculo que atravessa a frente da coxa) e do gracilis (grácil) muscular, que é um dos músculos adutores. Todos eles se anexam em conjunto na tíbia ou no osso da canela sobre a parte interna.

Nesta área, há também a bolsa anserina, que se encontra entre o tendão e o osso da tíbia. Esta bursa pode se tornar inflamada devido à fricção repetitiva em esportes como ciclismo, corrida e natação, especialmente nado peito. Isso resulta em bursite e/ou tendinopatia (às vezes chamada de tendinite).

Tratamento
Inicialmente, é preciso tratar os sintomas e depois trabalhar na causa da inflamação do tendão ou da bursa. O tratamento dos sintomas inclui descanso de quaisquer atividades agravantes e aplicação de gelo ou terapia fria para reduzir a dor e inflamação.

O gelo pode ser aplicado durante 10 minutos a cada hora ao longo dos dois primeiros dias. Depois, de três a quatro vezes por dia, conforme necessário. Medicamentos anti-inflamatórios, podem ser usados, ajudando a reduzir dor e inflamação. Alongar os músculos que rodeiam, como o quadríceps, isquiotibiais e adutores, pode ajudar.

Um terapeuta/fisioterapeuta pode aplicar métodos analgésicos e cicatrizantes. Se o tratamento não for bem-sucedido, injeções de corticosteroides têm se mostrado eficazes. Ondas de choque e acupuntura também estão no protocolo de tratamento.

A segunda fase do tratamento deve considerar a causa da lesão, corrigindo o problema. Tudo isso sob avaliação e prescrição médicas.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. 

Leia também as
6 dicas para manter a saúde dos seus joelhos

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