domingo, 8 de março de 2020

Escola de gastronomia: uma aula na Receitaria

Como vão? Se você gosta de comer, aprender e experimentar novos sabores, vai gostar de conhecer a Receitaria Escola Gourmet, uma escola de gastronomia que oferece cursos livres e rápidos, assim como cursos de formação profissional. 

Eu comprei um curso para aprender receitas sem glúten na Unidade de PINHEIROS, localizada na Rua Fradique Coutinho, 600. Eu tive aula com a Roberta Engels, uma das proprietárias da escola. A infra-estrutura local é muito boa.



Falando sobre as receitas, a fécula de batata foi a base de várias receitas sem glúten que aprendi, como o Bolo de Uva (foto abaixo antes e depois do forno).




Quiche de Verduras, Pão sem Glúten e Nhoque de Mandioquinha ao Molho de Gorgonzola foram outras receitas da aula. 

Lembrar do nhoque de mandioquinha me dá água na boca de tão gostoso, assim como o molho, que fiz em casa novamente para acompanhar outras massas.






É muito bom aprender e comer pratos saborosos ao mesmo tempo. Aproveite e confira outra aula que fiz. Desta vez sobre salmão. Você tem alguma experiência legal de culinária para compartilhar?



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Saúde: a geosmina e o mosquito da dengue - uma relação perigosa

Uma substância encontrada na água contaminada com esgoto pode ajudar na proliferação do mosquito da dengue. O composto químico, chamado de geosmina, é o mesmo que tem afetado o fornecimento no Rio de Janeiro, deixando a água com gosto e cheiro de terra. A geosmina atrai o mosquito da dengue, facilitando a reprodução do animal. A descoberta foi publicada na revista científica “Current Biology”, fortalecendo a ideia de que a falta de saneamento é um dos fatores que mais contribuem para a proliferação do Aedes aegypti.



A engenheira sanitarista e professora da Escola Politécnica da UFRJ, Iene Cristina Figueiredo, explica que o surgimento de geosmina é resultado da ação de cianobactérias, que são algas microscópicas, principalmente quando a água está contaminada.

“Esses organismos [cianobactérias] para se proliferarem precisam de luz e de nutriente, essencialmente nitrogênio e fósforo. Algo que a gente também aporta para os cursos d’água por conta do esgoto sanitário. Aí a gente gera um ambiente ‘ótimo’ – água parada, muito esgoto, muito nutriente e muita luz.”

André Ricardo Machi é doutor em biologia pela Universidade de São Paulo e estuda o comportamento do Aedes. O especialista explica que o mosquito é atraído pela geosmina porque a substância é um sinal de que o reservatório de água é “propício” para o desenvolvimento das larvas.

“A água contaminada produz uma maior quantidade de geosmina, pois essa substância é basicamente produzida por microrganismos, principalmente bactérias. Isso faz com que especificamente a fêmea do mosquito seja mais atraída para ‘ovipositar’ nesse local uma vez que, onde há a substância, também há microrganismos dos quais as larvas dos mosquitos podem se alimentar.”

As autoridades de saúde reforçam o papel dos moradores no combate a focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. A recomendação do Ministério da Saúde é de que limpeza de possíveis focos do Aedes, dentro de casa, seja semanal.

Dados do ministério revelam que, em 2019, de janeiro a agosto foram notificados quase um milhão e meio de casos prováveis de dengue – número quase sete vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2018. A taxa de incidência a cada 100 mil habitantes ultrapassou 735 ocorrências. Em relação aos casos graves da doença, foram registradas 1.419 confirmações.

E você? Já combateu o mosquito hoje? A mudança começa dentro de casa. Proteja a sua família. Para mais informações, acesse saude.gov.br/combateaedes. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Receita: Bolinhos de Tapioca com Queijo Mussarela


Receitinha enviada pela Tirolez. Uma opção para quem gosta de dadinhos de tapioca, mas não tem queijo coalho em casa ou quer uma opção mais acessível.


   

Bolinhos de Tapioca com Queijo Mussarela
Ingredientes:
1 xícara de chá de farinha de tapioca
1 xícara de chá de leite desnatado quente
100 g de Queijo Mussarela Light Tirolez cortado em cubos bem pequenos
1 colher de café de sal
Pimenta calabresa a gosto
1 colher de sobremesa de óleo vegetal

Modo de Preparo:
- Em um recipiente, coloque a farinha de tapioca e o leite quente, misture bem.
- Junte os cubos de Queijo Mussarela Light Tirolez, tempere com sal e pimenta.
- Despeje a massa em uma assadeira, em uma camada uniforme, compactando-a bem com as mãos. Leve para a geladeira por aproximadamente 2 horas.
- Corte a massa em cubos grandes e reserve.
- Unte uma assadeira com óleo e coloque os cubos, leve ao forno médio por 30 minutos, virando os cubos na metade do tempo de forno. Sirva.

Se procura a receita original do dadinho de tapioca, nós também temos ela no blog, obtida em um workshop do qual participei.  

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Resenha: Mania de Churrasco Prime Steak House

Comer é bom, conhecer locais novos também. Mesmo aqueles que a gente vê em praças de alimentação, mas demoramos a visitar. Eu já almocei no restaurante Mania de Churrasco que tem bufê por quilo (bufê express), só que a rede tem novas lojas com foco maior em hambúrgueres: Mania de Churrasco Prime Steak House, com carnes nobres e pratos para almoço executivo também. Eu estive junto com a minha irmã na unidade localizada no Shopping Taboão. A decoração é em estilo mais rústico, com muita madeira e metais. 

Minha irmã pediu um hambúrguer de Angus, acompanhado de batas rústicas e onion rings, junto com a Berry Lemonade, com furtas vermelhas. A refeição estava OK, mas achamos que o hambúrguer poderia ser um pouco maior (ficamos decepcionadas rsrs).  


Eu, como tenho algumas manias, pedi um hambúrguer vegetariano. Isso mesmo! Que foi plenamente aprovado. Quinoa, lentilha, cenoura, cebola, espinafre, gergelim preto, alho e cebolinha), acompanhado de salada Prime. Estava muito bem temperado e saboroso. Só de escrever me deu água na boca. 

   
E vocês, já foram ao Mania de Churrasco?

Aproveite para acompanhar aqui no blog outras resenhas de restaurantes, como a do Jacarandá.

Tem ainda receita de Quibe Vegetariano.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Pescou? Fatores que podem ocasionar fisgadas nas pernas e nos pés

Dra. Ana Paula Simões, Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi entrevistada para esta matéria e apresenta em detalhes os fatores que podem ocasionar as fisgadas nas pernas e pés de forma bem detalhada. Se mesmo assim você tiver alguma dúvida, deixa seu comentário!  

A Dra. Ana Paulo explica que as fisgadas podem ser descritas como uma alteração de sensibilidade. Podem ocorrer em uma ou mais partes do seu corpo ao mesmo tempo, afetando seu corpo ao longo do trajeto de um nervo, em um lado do corpo, ou menos comumente em ambos os lados. Ocorrendo em alguns atletas, pode alterar inclusive a performance. As sensações são variadas. Elas podem ser uma dormência ou um formigamento durante o treino (alfinetes e agulhas) ou até mesmo fisgada e queimação. 



Sintomas
As pernas e pés são por vezes afetados pelas fisgadas, que podem se apresentar de uma ou mais das seguintes maneiras: Perda de sensação e sensibilidade (incapacidade de sentir a temperatura ou a dor); Perda de coordenação (dificuldade em andar ou movimentar os músculos); Sensação de alfinetes e agulhas; Formigamento; e Ardência. 

Causas 

1 – Ciatalgia
A ciatalgia é uma condição causada pela irritação do nervo mais longo do corpo, chamado nervo ciático. A irritação do nervo ciático afeta a capacidade de uma pessoa controlar e sentir suas pernas. A condição geralmente causa dor, mas também pode fazer com que você sinta as pernas fracas ou dormentes. Às vezes, as costas e as nádegas também parecem doloridas, dormentes ou fracas. Neste caso, pode ser uma compressão advinda da lombar ou mesmo na emergência do nervo pelo músculo piriforme. 

2 – Canelite
Shin splint, às vezes chamado de síndrome do estresse tibial medial, é uma condição que causa dor ao longo da frente da perna, no osso da canela. A maior parte da dor ocorre entre a perna e o tornozelo. Atletas e outras pessoas que participam regularmente de atividades físicas com impacto têm maior probabilidade de desenvolver dores nas canelas do que aqueles que não participam. A dor causada pelas canelites parece, em alguns casos, com fisgadas e pontadas doloridas. 

3 - Compressão nervosa
Os nervos comprimidos geralmente ocorrem quando uma grande quantidade de pressão é aplicada a um nervo pelos ossos, músculo, cartilagem ou tendões. A pressão pode perturbar a função normal do nervo. Às vezes isso leva a dor, formigamento, fraqueza ou dormência. Enquanto o nervo ciático comumente causa dormência nas canelas quando está irritado, muitos outros nervos do corpo, como os do quadril, podem causar uma sensação semelhante. Nestes casos, o exame médico por especialista é fundamental, pois faz-se necessário descartar inclusive tumorações e síndromes compressivas que podem ocasionar tais fisgadas. 

4 - Hérnia de disco
Uma hérnia de disco pode ocorrer quando um disco em sua coluna desliza para fora do seu sítio anatômico (local). Isso causa dor e desconforto. Esta condição também pode causar dormência nas pernas, geralmente para baixo de um lado do corpo, e se o disco escorregado comprimir um dos nervos da coluna vertebral, pode gerar, além das fisgadas, perda de força. 

5 – Diabetes
As pessoas com diabetes tipo 2 geralmente sentem dor, dormência e formigamento nas pernas e nos pés. Isso acontece quando os níveis de açúcar no sangue do corpo estão elevados há muito tempo. Conhecemos como neuropatia diabética e faz-se necessário a investigação quando o paciente se queixa de fisgada como diagnóstico diferencial. 

6 - Esclerose Múltipla (EM)
A esclerose múltipla é uma condição que afeta o sistema nervoso central do corpo. Os nervos ficam danificados e isso torna desafiador para o cérebro enviar mensagens para o resto do corpo. A maioria das pessoas com esclerose múltipla acha mais difícil andar com o tempo. Um dos motivos é a dormência que se desenvolve nas pernas e nos pés e um dos processos iniciais é a fisgada. 

7 – Lúpus
O lúpus é uma condição autoimune que causa muitos problemas sistêmicos no corpo. Os sintomas do lúpus podem afetar diferentes partes do corpo em momentos diferentes. Isso inclui as pernas, cursando com queixas de dores e fisgadas esporádicas. 

8 - Acidente vascular encefálico (AVC)
Os derrames ocorrem quando um vaso sanguíneo no cérebro sangra e se rompe ou quando o suprimento de sangue para o cérebro fica bloqueado de outra maneira. O AVC é a quinta principal causa de morte nos Estados Unidos. Um dos principais sintomas do AVC é dormência ou fraqueza. Isso geralmente afeta um lado do corpo, incluindo o rosto e um braço ou o rosto e uma perna. É uma emergência médica. Procure ajuda urgente se sentir: paralisia em qualquer parte do seu corpo; dormência ou fraqueza repentina e grave, especialmente se estiver afetando apenas um lado do corpo; confusão; dificuldade em falar ou entender discurso; perda de equilíbrio ou tontura; e dor de cabeça severa ou problemas de visão. 

9 - Doença arterial periférica
A doença arterial periférica pode ocorrer quando uma placa de gordura se acumula nas paredes dos vasos sanguíneos, fazendo com que se estreitem. Muitas vezes afeta pessoas com diabetes tipo 2 e obesos. Um dos principais sintomas é dormência ou formigamento nas pernas e nos pés. Essa sensação é frequentemente acompanhada de dor no mesmo lugar ao caminhar ou se exercitar. 

10 – Tumor
Os tumores cerebrais são uma condição séria que pode afetar como o cérebro se comunica com o corpo. Um dos principais sintomas de um tumor cerebral é a dormência em uma ou mais partes do corpo. Os tumores cerebrais exigem atenção e investigação médica. 

11 - Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)
A síndrome das pernas inquietas pode causar sensações desagradáveis, como dormência nas canelas. Muitas vezes, essas sensações são acompanhadas por um forte desejo de mover as pernas. Além de ser desconfortável, a SPI geralmente interfere no sono de uma pessoa, causando fadiga. Algumas pessoas não conseguem parar de movimentar as pernas e acabam sentindo fisgadas concomitantes. 

12 - Quimioterapia e tratamentos
A quimioterapia é um tratamento comum para câncer e tumores. No entanto, também pode causar dormência em várias partes do corpo, incluindo as pernas. Caso esteja com esses sintomas, avise seu médico. 

13 - Neuropatia periférica idiopática crônica
Neuropatia ocorre quando o dano nervoso interfere com o funcionamento correto do sistema nervoso periférico (SNP). Quando a causa do dano nervoso não pode ser determinada, é conhecida como neuropatia idiopática. Recentemente, atendi um caso hoje de corredor com essa queixa. A neuropatia causa sensações estranhas em várias partes do corpo, geralmente nos pés, canelas e mãos. A falta de tratamento pode causar danos nos nervos a longo prazo. 

14 – Fibromialgia
A fibromialgia é um distúrbio com uma causa pouco clara, que causa dor muscular, dormência e fadiga, entre outras questões. Esta condição tende a surgir após grandes eventos como estresse, cirurgia ou trauma e vejo frequentemente nas consultas, principalmente em mulheres. Aproximadamente uma em cada quatro pessoas com fibromialgia sente fisgadas e formigamentos nas pernas e pés ou nas mãos e braços. 

15 - Síndrome do túnel do tarso
A síndrome do túnel do tarso pode causar dormência e fisgadas. Embora geralmente siga irradiando para sola do pé, a condição resulta de pressão repetida que comprime ou danifica o nervo tibial posterior e é frequentemente causada por outras condições, como pé chato; varizes e outros problemas circulatórios; lesões e traumas; e diabetes. 

Tratamentos
Tratamentos eficazes para pernas e pés com fisgadas ou com alteração de sensibilidade variam dependendo da causa. Na maioria dos casos, a dormência melhora sozinha, mas descrevi aqui alguns tratamentos comuns que devem trazer alívio: pomadas tópicas de anti-inflamatórios; descansar (especialmente se você estiver em momento pós-prova ou após treino longo); gelo ou calor (quando a causa é inflamatória ou sobrecarga); fisioterapia (para reduzir a inflamação e analgesia); exercício (para nervos comprimidos e fibromialgia); massagem (para reduzir a sensação de dormência e aliviar os sintomas de nervos comprimidos); e liberação miofascial (para os casos de compressão). 

Tratamento médico
É importante consultar um médico se você estiver com dor intensa, tiver queda de performance e até mesmo se suspeitar de uma doença sistêmica ou mais grave como algumas das citadas acima. Um sinal de que você deve procurar um médico para ajudá-lo é se os tratamentos conservadores não aliviarem seus sintomas. Alguns tratamentos médicos comuns incluem: 

- cirurgia (para remover tumores, reparar discos herniados e muito mais compressões que podem estar gerando essas alterações neurológicas); 

- medicamentos (como gabapentina ou pregabalina, usados em neuropatias periféricas); 

- prescrição de tratamentos adjuvantes, como acupuntura e outros métodos que vão ser indicados de acordo com o diagnóstico. 

A atenção médica imediata é importante para evitar danos a longo prazo. 

Lembrando que a fisgada é algo que a maioria das pessoas experimenta em algum momento de suas vidas. Na maior parte dos casos, não é nada para se preocupar. Mas em outros casos, pode ser um sinal de um problema mais sério. Consulte um médico para entender o que está causando e o que você pode fazer a respeito. 


Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, entre outras sociedades. 

Quer mais informações sobre questões ortopédicas? Veja este post sobre lesão nos ligamentos e tendinite. 

Obesidade infantil: o que mudar no estilo de vida e alimentação

Em outubro de 2019 a Organização Internacional World Obesity publicou o Atlas da Obesidade Infantil. O documento mostrou que hoje cerca de 158 milhões de crianças de 5 a 19 anos convivem com o excesso de peso e que esse número deve aumentar para 254 milhões em 2030 em todos o mundo.

Segundo a Dra. Denise Lellis, pediatra da Liga de Obesidade Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), no Brasil a tendência não é diferente. A especialista aponta o que é preciso mudar para reverter o cenário atual.



Os dados da obesidade infantil também são altos no Brasil?
Dra. Denise Lellis - Hoje o país já atinge a marca dos 15% de suas crianças entre 5 e 9 anos com diagnóstico de obesidade e a perspectiva é que em 2030 esse número aumente para quase 23%, ou seja, 7,5 milhões de crianças e adolescentes, colocando o país em quinto lugar no ranking com mais crianças obesas no mundo em números absolutos, perdendo apenas para a China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.

A década da nutrição, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2016, definiu metas de saúde que, entre outras coisas, envolvem diversas mudanças para a prevenção da obesidade infantil em nível global. Entretanto, a absoluta maioria dos países não atingirá nem 20% dessas metas até 2025 e o Brasil, além de ter cumprido apenas 2% das mudanças propostas até agora também representa um score de risco de 8 pontos em 11 para desenvolvimento de obesidade infantil de acordo com o Atlas da Obesidade.

A obesidade infantil é genética?
Dra. Denise Lellis - As últimas décadas de estudos já esclareceram muito sobre o caráter multifatorial da obesidade e, apesar do importante papel da genética na etiologia da doença, quando falamos sobre excesso de peso em crianças de 5 anos, um ponto não pode deixar de ser destacado. Elas refletem o ambiente em que estão inseridas.

Diante desse cenário, quais são os principais desafios no combate à obesidade infantil?
Dra. Denise Lellis – Eu destaco quatro principais desafios. A amamentação, por exemplo, pode prevenir a obesidade infantil em pelo menos 40%, porém vimos números cada vez menores de crianças amamentadas com leite materno exclusivo. No Brasil esse número pode chegar a apenas 29%, enquanto as vendas das fórmulas infantis aumentam exponencialmente.

Inúmeros estudos demonstram que a oferta de alimentos ultraprocessados antes dos dois anos, em especial ricos em açúcar, sal e gordura, moldam o paladar da criança para o consumo desses alimentos no futuro. Entretanto, crianças de todas as idades continuam sendo bombardeadas de propagandas desses alimentos, muitos deles oferecidos nas escolas, e as famílias são induzidas a ofertá-los desde muito cedo, frequentemente com o respaldo de profissionais de saúde.

A alimentação escolar é um outro desafio na luta contra a obesidade infantil. Num momento histórico em que muitas crianças iniciam a vida escolar aos seis meses, aprendem a comer e a se relacionarem com a comida no ambiente escolar, a maioria das escolas sequer conhece recomendações básicas da introdução alimentar como a não oferta de alimentos ricos em sal, açúcar e gordura para bebês menores de um ano.

Outro ponto que pede mudança urgente é a capacitação dos profissionais que lidam com a infância e com a obesidade infantil. Competências não técnicas que permitam uma comunicação mais eficaz, empática e capaz de engajar famílias em mudanças reais em busca de saúde é outra necessidade urgente. Hoje 70% das recomendações médicas que envolvem mudança de estilos de vida não são seguidas pelos pacientes e cerca de 30% dos encaminhamentos para nutricionistas não chegam nem a marcar a primeira consulta, sem considerar aqueles que vão à primeira consulta e não voltam ou também não seguem o que o nutricionista orientou.

O quarto e último ponto que destaco é, na verdade, um alerta para que todos os setores da sociedade tratem com mais cuidado e atenção as mensagens enviadas para a infância. Enquanto profissionais de saúde orientam a alimentação saudável, a publicidade voltada para a criança estimula o contrário.

Na sua visão, o que é preciso acontecer para mudar as estatísticas da obesidade infantil?

Dra. Denise Lellis - A ciência do século XXI contempla o maior conhecimento que já existiu sobre nutrição, metabolismo, fisiologia e exercícios. No entanto, as crianças nunca sofreram tanto dos males causados por má alimentação e sedentarismo.

Estudos transgeracionais já demonstraram o poder do comportamento parental na gênese e na prevenção da obesidade infantil. O estilo de vida dos pais bem como a responsividade parental não apenas na alimentação, mas na construção da rotina e comportamento dos filhos pode ser uma das grandes respostas para a melhoria dos números em obesidade no futuro.

Um grande exemplo é o que estamos aprendendo com a coorte transgeracional Growing up today Study (GUTS), um estudo que já demonstrou que pais atentos aos seus filhos e que dão bons exemplos de estilo de vida conseguem prevenir não apenas obesidade infantil mas os vários outros comportamentos de risco na adolescência, como uso de drogas e transtornos alimentares. Ou seja, inserir a criança num ambiente de mensagens, atitudes e exemplos coerentes o quanto antes é a grande oportunidade das gerações futuras.

Sobre Dra. Denise Lellis – Doutora em Pediatria pela USP, é membro do departamento de Obesidade Infantil da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), pediatra da Liga de Obesidade Infantil da FMUSP e Coordenadora do curso de Nutrologia Pediátrica para consultório do CAEPP (Centro de Apoio ao Ensino e Pesquisa em Pediatria).

Aproveito para indicar este lindo post com dicas de alimentação para crianças

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Saúde - Como a substância tóxica das cervejas Belorizontina atua no corpo das vítimas

A intoxicação pelos etilenoglicóis presentes em lotes de cervejas da marca Belorizontina, entre outras, todas produzidas pela cervejaria Backer, localizada em Minas Gerais, ainda assusta os moradores de diferentes cidades brasileiras. Até 17 de janeiro, quatro mortes já haviam sido confirmadas e havia 18 notificações de pacientes com suspeitas da chamada "síndrome nefroneural".

A patologia afeta o intestino, os rins e o sistema nervoso do indivíduo de maneira preocupante. Neste material, o Dr. Saulo Nardy, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica detalhadamente o que é o etilenoglicol e como ele atua no organismo da pessoa intoxicada.

Segundo o neurologista, ambos os subtipos da substância encontradas na cerveja (monoetilenoglicol e o dietilenoglicol) são incolores, inodoros e têm um sabor levemente adocicado. Os indivíduos que os ingeriram, portanto, talvez tenham sentido a cerveja um pouco mais doce que o normal, mas nada que pudesse chamar a atenção.

Na prática, o etilenoglicol é usado como anticongelante em processos industriais, além de estar presente em solventes para corante, limpadores de parabrisa, pastas de polimento para sapato e alguns tipos de lubrificantes.

“Embora a substância seja um álcool, não se assemelha ao etanol, consumível e presente em bebidas como a cerveja. Simplesmente não era para estar ali”, ressalta Saulo.

Uma vez ingerida, a intoxicação se dá via gastrointestinal. No intestino, onde a substância é absorvida, pode provocar queimação, náusea, vômito e diarreia. Na sequência, leva a um quadro mais grave de embriaguez: a pessoa fica muito lenta, desequilibrada, com a fala amolecida e muita tontura. Em alguns casos, já nessa fase, inicia-se um estado de torpor. Tudo isso em até 12 horas após o consumo.

Feita a primeira metabolização no fígado, o etilenoglicol se transforma em oxalato e passa a agir com maior agressividade, acarretando, em menos de 24 horas, à insuficiência renal pela formação de cristais que atacam o rim. 

Aproximadamente 72 horas depois, os nervos e o cérebro também viram alvo, o que pode resultar em paralisia facial, tetraparesia (perda movimento dos braços e pernas), embaçamento ou perda da visão, entre outras graves consequências.

Por ser tratar de uma síndrome com tamanha rapidez e de difícil identificação em casos que a ingestão não é sabida, o tratamento é um desafio para os médicos. Saulo explica que técnicas como a lavagem gástrica devem ser aplicadas se a pessoa for atendida logo após o consumo, para reduzir a absorção pelo intestino.

Outra possibilidade é a ingestão endovenosa de etanol, pois, enquanto está ocupado com sua metabolização, o fígado não consegue processar o etilenoglicol rapidamente, dando mais tempo para a reação do organismo e para a adoção de outras medidas, como a hemodiálise. “Parece um contrassenso, mas, basicamente, ‘embriagar’ de propósito a pessoa no período de algumas horas após a intoxicação pode ser útil”, comenta.

No caso dos pacientes mineiros, que se dirigiram ao hospital horas depois do consumo da cerveja, a equipe médica fez uso de métodos para combater a acidose metabólica do corpo, além de hemodiálise.

“Como esse tipo de intoxicação é extremamente raro, é compreensível a demora para descobrir o que motivava os casos. Infelizmente, ninguém sabia do que se tratava e os pacientes chegavam ao hospital depois de várias horas do consumo, dificultando o tratamento”, finaliza Saulo.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Por que Shades of Blue é uma série ruim?

Ray Liota, Jennifer Lopez (JLO) e Warren Kole são alguns dos nomes que encabeçam o elenco da série policial Shades of Blue, que teve 3 temporadas (estou assistindo neste momento esta última). Mesmo sem terminar de vê-la, resolvi escrever este post para expressar minha avaliação sobre a trama. Aviso: este texto contém spoilers

Sou fã de séries policiais e minha conclusão sobre Shades of Blue: ela é muito ruim. O gancho da trama é a policial Harlee Santos (JLO), uma detetive sexy de Nova Iorque e mãe solteira, que faz parte de um grupo fechado de policiais corruptos, que fazem de tudo: matam, roubam, escondem provas, praticam roubos a comerciantes, roubam de bandidos, praticam extorsões, contaminam as cenas dos crimes e brigam com outros policiais corruptos  ao longo dos episódios. 




A série é ruim, porque ficaram de fora alguns elementos principais que outros seriados policiais trazem:

- Falta equipe de CSI e legistas: nenhum dos corpos passam por avaliação dos legistas que identificam a causa mortis, as cenas dos crimes não são periciadas. Ou seja, os investigadores corruptos manipulam tudo e fica por isso mesmo;

- Câmeras do sistema de vigilância: os policiais da trama praticam os crimes e extorsões a luz do dia ou ànoite e nenhuma câmera de uma cidade tão vigiada como Nova Iorque grava as cenas ou é procurada pelos investigadores, como costumamos ver em outras seriados; 

- Imprensa não cobre os casos: jornalistas não fazem parte do elenco e os crimes são "praticados" pelos policiais, mortes acobertadas e realizadas sem qualquer notícia nos jornais. Mesmo quando os policiais são levados para hospitais ou aparecem feridos no trabalho ninguém desconfia. O personagem de Ray Liotta tem um filho jornalista, mas ele nada investiga.  

- O sistema de Justiça também foi excluído do enredo: o único promotor virou namorado de Harlee (JLO), mas foi assassinado no começo da terceira temporada. De resto, os casos também não são avaliados pelos promotores. Nem relatório os policiais fazem!

- Falta de chefia do distrito: nenhum supervisor acompanha os casos, os depoimentos de criminosos ou testemunhas não são gravados. 

Quando a gente compara Shades of Blue com a longeva série Law & Order - SVU, é possível entender porque a segunda está há tanto tempo no ar, pois os roteiros possuem muito mais consistência.

Três temporadas para esta série foram mais do que suficientes.


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