quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Exame ocular pode detectar a doença de Alzheimer precocemente

Os resultados de dois estudos mostram que um novo dispositivo de imagem, não invasivo, pode detectar sinais da doença de Alzheimer em questão de segundos. Os pesquisadores descobriram que os pequenos vasos sanguíneos da retina, na parte de trás do olho, estão alterados em pacientes com Alzheimer. Mesmo os pacientes que têm uma história familiar de Alzheimer, mas não apresentam sintomas, mostram esses sinais reveladores. O exame pode distinguir entre pessoas com Alzheimer e aquelas que apresentam apenas comprometimento cognitivo leve. Os resultados desses estudos foram apresentados na 122ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia. 

Um novo tipo de imagem precisa e não invasiva, chamada angiografia por tomografia de coerência óptica (OCTA), ajudou muito na pesquisa recente sobre a conexão dos olhos com a doença de Alzheimer. Ela permite que os médicos vejam as menores veias na parte de trás do olho, incluindo os glóbulos vermelhos que se movem pela retina.



“Como a retina está conectada ao cérebro por meio do nervo óptico, os pesquisadores acreditam que a deterioração da retina e de seus vasos sanguíneos podem espelhar as mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos e nas estruturas do cérebro, oferecendo, assim, uma janela para a o diagnóstico precoce do Alzheimer”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares. 

Diagnosticar a doença de Alzheimer é, atualmente, um desafio. Algumas técnicas podem detectar os sinais da doença, mas são impraticáveis ​​para a triagem de milhões de pessoas, pois as tomografias cerebrais são caras e as punções lombares podem ser prejudiciais. “Por isso, a doença é frequentemente diagnosticada através de testes de memória ou observando mudanças de comportamento. No momento em que essas mudanças são notadas, a doença está avançada. Embora não haja cura, o diagnóstico precoce é fundamental, pois os tratamentos futuros provavelmente serão mais eficazes quando administrados precocemente. O diagnóstico precoce também fornece tempo para que os pacientes e suas famílias planejem o futuro”, explica a neuro-oftalmologista do IMO, Márcia Lucia Marques. 

O objetivo destas pesquisas recentes foi encontrar uma maneira rápida e barata de detectar os primeiros sinais do Alzheimer. Assim, pesquisadores da Duke University usaram o OCTA para comparar as retinas dos pacientes com Alzheimer com as de pessoas com comprometimento cognitivo leve, bem como as de pessoas saudáveis. Eles descobriram que o grupo com Alzheimer tinha perda de pequenos vasos sanguíneos da retina, no fundo do olho, e que uma camada específica da retina era mais fina. Pessoas com comprometimento cognitivo leve não mostraram essas mudanças. 

Os autores do estudo esperam que o trabalho tenha um impacto positivo na vida dos pacientes. “Este projeto atende a uma enorme necessidade não atendida atualmente. Não é possível, empregando as técnicas atuais, como uma varredura do cérebro ou uma punção lombar (espinhal), rastrear o número de pacientes com essa doença. Precisamos detectá-la mais cedo e introduzir o tratamento precocemente”, afirma Márcia Marques. 

Como os genes desempenham um papel significativo na forma como o Alzheimer começa e progride, outra equipe de pesquisadores, do Sheba Medical Center, em Israel, examinou 400 pessoas que tinham um histórico familiar da doença, mas que não apresentavam sintomas. Eles compararam seus exames de retina e do cérebro com aqueles que não tinham histórico familiar de doença de Alzheimer. 

“Os pesquisadores israelenses descobriram que a camada interna da retina é mais fina em pessoas com histórico familiar de Alzheimer. O exame do cérebro mostrou, pela primeira vez, que o hipocampo, uma área do cérebro afetada pela doença, já havia começado a encolher. Ambos os fatores, uma camada da retina mais fina e um hipocampo menor, foram associados a uma pior pontuação em um teste de função cognitiva. Uma tomografia cerebral pode detectar o Alzheimer quando a doença está bem adiantada, além de uma fase tratável. Precisamos de intervenção precoce e tratamento mais cedo para pacientes que estão em tão alto risco”, finaliza a neuro-oftalmologista. 


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Quais são as doenças dos olhos mais comuns no verão?

Muita gente comemora a chegada do verão, principalmente quem pode desfrutar de férias. Se, por um lado, é uma oportunidade de estar mais ao ar livre, tomar sol, ir à praia ou ao clube, nadar no mar ou na piscina de um hotel, por outro lado é fundamental proteger os olhos. De acordo com o médico oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, alguns cuidados essenciais podem evitar vários danos à saúde ocular. “Nesta época do ano, ninguém deveria sair de casa sem antes aplicar uma boa camada de filtro solar na pele, além de usar óculos de sol e todo tipo de proteção na cabeça, seja um boné, um lenço ou um chapéu. Isto porque, com as altas temperaturas, a incidência dos raios ultravioleta aumenta e pode causar até mesmo infecções e outras doenças mais graves”. 

Na opinião do médico, as alergias são a ocorrência mais frequente. “A elevação da temperatura e da poluição atmosférica faz com que crianças e pessoas mais sensíveis a esses agentes apresentem sintomas como coceira, vermelhidão e sensação de queimação. Neste caso, além de se manter longe do sol nos horários de pico – entre 10h e 16h – é importante se hidratar bem e usar óculos escuros até mesmo na sombra”. Esfregar frequentemente os olhos e com força, segundo o médico, torna a pessoa mais suscetível a alterações da córnea – que vai se tornando mais fina e mais cônica. Ou seja, além de aumentar o astigmatismo (imperfeição no formato da curvatura da córnea), impedindo a luz de entrar homogeneamente e resultando em distorções e borrões na imagem final, essa coceira pode causar ceratocone – com perda acentuada da acuidade visual. 





Neves também chama atenção para casos de conjuntivite – doença que se manifesta através de vermelhidão, sensação de pálpebras coladas e lacrimejamento excessivo. “Casos de conjuntivite são muito comuns ao longo do ano todo. Mas quando faz muito frio ou muito calor eles costumam aumentar. No verão, assim como os casos de virose são mais comuns, também aumentam os casos de conjuntivite viral. Essa inflamação geralmente provoca aumento de secreção, acentuada pela irritação. O importante é saber que é uma doença altamente contagiosa e sua propagação se dá por contato físico com pessoas ou objetos de uso comum. Sendo assim, nada de compartilhar camisetas, toalha, roupa de cama, maquiagem, óculos de sol etc. Além disso, é importante estar sempre com as mãos limpas e lavar os olhos várias vezes ao dia com água morna para eliminar a secreção. Se o incômodo continuar, compressas de água gelada também trazem alívio. Mas recomenda-se procurar ajuda médica se o problema persistir”. 

A síndrome do olho seco, de acordo com o oftalmologista, é outro problema muito recorrente no verão. Isto porque, com as altas temperaturas, o filme lacrimal evapora mais rapidamente. Quando não tratada, pode evoluir para ulceração da córnea ou até mesmo perda de visão. “O tratamento de olho seco costuma ser individualizado, já que vários podem ser os agravantes da doença. Normalmente, pacientes que enfrentam esse problema têm de fazer uso de lágrimas artificiais ou mesmo de pomadas, em casos mais graves. Ambientes com ar-condicionado – principalmente quando não há manutenção adequada – ou ainda cabines pressurizadas dos aviões também merecem atenção especial, já que contribuem para desestabilizar o filme lacrimal”, diz o especialista. “Além desses cuidados, vale a pena investir numa dieta balanceada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos e proteína – peixes, de preferência. Alimentar-se bem é fundamental para manter uma boa saúde e afastar um grande número de doenças. Mais do que isso, vale a pena aproveitar que o ano está só começando e adotar permanentemente hábitos mais saudáveis”.

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