terça-feira, 18 de junho de 2019

SAÚDE: PESQUISA INVESTIGA A RELAÇÃO DO DIABETES EM MULHERES COM SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO



Saúde da Mulher


Conduzido por endocrinologistas, estudo mostra relação com componente genético.

Coordenado por grupo de endocrinologistas de São Paulo, estudo investigou as causas genéticas da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A pesquisa identificou o DLK1 como um gene que faz o elo entre a SOP e a resistência à insulina.

Já está demonstrado que o componente genético responde por cerca de 75% das causas da SOP. Porém, os genes implicados na patogênese são poucos conhecidos. “Resolvemos fazer esse estudo para descobrir os mecanismos destas doenças e mesmo potenciais alvos terapêuticos. O achado foi uma alteração danosa no gene do DLK1, revelando que as pacientes com deficiência desse gene tinham menstruação precoce, obesidade, diabetes, dislipidemia (colesterol anormalmente elevado ou aparecimento de gorduras no sangue) e Síndrome dos Ovários Policísticos com maior frequência, sugerindo que o DLK1 é um fator que afeta o eixo reprodutivo e metabólico”, conta a Dra. Larissa Garcia Gomes (CRM-SP 102980), diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), especialista que conduziu a pesquisa.

Para chegar a este resultado, cerca de 200 mulheres com síndrome dos ovários policísticos vêm sendo triadas desde 2018. Delas, 40 pacientes já foram selecionadas até o momento. “A triagem é realizada no ambulatório do Hospital das Clínicas para avaliar se a paciente realmente tem esse diagnóstico, se tem histórico familiar, pois este fato aumenta a chance de encontrar causas genéticas. Avaliamos também se tem ou teve algumas das condições, como diabetes antes dos 30 anos de idade, puberdade precoce, não apresentou menstruação espontânea, dentre outras. Ainda estamos em fase de recrutamento. Por isso, quem tiver interesse em participar dos estudos desenvolvidos pelo nosso grupo, pode entrar em contato pelo sop.endocrino.hcfmusp@gmail.com”, informou a endocrinologista.

Diabetes x SOP

A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma doença complexa, que envolve aumento da produção de testosterona pelos ovários levando ao quadro clínico de hirsutismo (crescimento indesejado de pelos com padrão masculino no rosto, no peito e nas costas de uma mulher), alteração na produção do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) pela hipófise resultando em anovulação (clinicamente a mulher tem irregularidade menstrual), e a presença de resistência insulínica, que leva à maior presença de insulina no sangue. O quadro de resistência insulínica por sua vez piora o hirsutismo e é um forte marcador de risco de diabetes. Essas manifestações clínicas se apresentam de forma relativa, com determinados achados se manifestando com maior intensidade. Por outro lado, o gene do DLK1 produz uma proteína de mesmo nome produzida tanto no tecido adiposo quanto no hipotálamo, região reguladora da hipófise e eixo reprodutivo. Logo, a perspectiva dos pesquisadores é, a partir de agora, entender como o gene DLK1 faz essa conexão entre tecido adiposo e hipotálamo.
 
Sistema Reprodutor Feminino
“As pesquisas básicas são apenas o começo, sendo infindáveis as perguntas que persistem e nos motivam a continuar pensando diariamente, a fim de oferecer um tratamento mais assertivo e individualizado às nossas pacientes. Faz sentido que o tratamento ideal seja baseado na reposição de DLK1. Isso já foi demonstrado em modelos animais com sucesso. Porém, não temos perspectivas ainda para nossos pacientes de uma forma eficaz de combater a deficiência do DLK1. O tratamento atual visa, principalmente, tratar as complicações metabólicas inerentes à deficiência do DLK1, dentre elas, obesidade, diabetes, estratos hepática e síndrome dos ovários policísticos”, expõe a endocrinologista.

O que se observa é que os principais progressos nesta pesquisa, até o momento, estão ligados aos avanços relacionados à Síndrome dos Ovários Policísticos que visam compreender as diversas causas da síndrome, “pois entendemos que a apresentação clínica da síndrome é o resultado de múltiplas causas genéticas, epigenéticas e ambientais que se manifestam de forma semelhante. Visamos também encontrar marcadores que possam determinar maior ou menor risco de desenvolver complicações metabólicas, como diabetes e obesidade. Esses achados nos permitirão fazer tratamentos mais precisos a depender da causa”, conclui a Dra. Larissa Garcia Gomes.

Aproveite e leia também o post sobre diabetes e hidratação da pele.

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