terça-feira, 23 de abril de 2019

Luz visível também pode prejudicar pele e saúde do corpo


Novos estudos no Brasil indicam que as pessoas devem se proteger contra esta luz, que inclusive pode causar queimaduras e gerar radicais livres.

Uma discussão que vem ganhando cada dia mais destaque é a importância do desenvolvimento de produtos que contenham proteção contra a luz visível. Um dos motivos é que, além da radiação UVA e UVB – ambas invisíveis a olho nu – a luz que podemos enxergar também pode causar malefícios à saúde.

Novos estudos indicam que as pessoas devem se proteger contra esta luz, que inclusive pode causar queimaduras e gerar radicais livres. Maurício da Silva Baptista, professor de Bioquímica da USP, conta que vem apresentando estudos para que a luz visível seja classificada como danosa assim como raios UVA e UVB, e explica que os fótons na faixa do visível não são intrinsicamente diferentes dos fótons na faixa do ultravioleta, por exemplo.

“O que os distingue é a maneira como eles ativam reações distintas quando são absorvidos por cromóforos da nossa pele” – explica o professor.  Fótons do UVB agem diferentemente dos fótons do UVA e da luz visível, pois são absorvidos pelo DNA de queratinócitos e melanócitos presentes nas camadas superficiais da pele. Algumas unidades do DNA, após absorção de fótons no UVB, sofrem reações e geram compostos mutagênicos. No caso do UVA e do visível, os fótons interagem com a nossa pele de forma semelhante, pois são absorvidos e geram espécies oxidantes, ou seja, radicais livres que oxidam diversas biomoléculas”, explica o professor.

Uma das saídas seria a aplicação de filtros solares de filmes ultrafinos, que desempenhariam funções diversas em termos de espalhar e absorver a luz. “Alguns produtos de maquiagem já possuem proteção que conseguem absorver a luz visível, mas como possuem cor, ainda não foram desenvolvidos para restante do corpo”. Baptista, inclusive, desenvolveu uma patente baseada no conceito de nanotecnologia.

“Criamos uma rota sintética para construir nanopartículas de sílica contendo filmes ultrafinos de melanina, que protegem contra a luz visível, dando uma cor natural à pele do usuário. Mas há outros desafios que precisam ser vencidos para fazer o filtro solar com esse tipo de película. Pretendo vencer estes desafios com indústrias do setor interessadas em desenvolver novos conceitos de filtro solar”.

A Dra. Betina Giehl, diretora técnica da Nanovetores – expositora da FCE Cosmetique - acredita que a nanotecnologia poderá ajudar a tornar viável o desenvolvimento de produtos multifuncionais, garantindo que propriedades de diferentes ativos presentes em um mesmo produto sejam mantidas. “Nossa rotina tem nos expostos cada vez mais a incidência da luz azul [emitida por telas de TV e computador, por exemplo] e visível.  Este cenário tende a se intensificar, por isto os cuidados se fazem necessários. Maior segurança, durabilidade da proteção e versatilidade de uso serão possíveis com o uso da nanotecnologia nos produtos de proteção contra a luz visível”.

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