sexta-feira, 29 de maio de 2015

Conto: Quais são os meus sonhos?

Por mais de três décadas, João esteve por trás de um volante de ônibus pelas ruas de São Paulo. Quantas aventuras, vivências e quanta luta. E risadas e amizades que iam e vinham, assim como o seu coletivo. Chegara a hora da aposentadoria. Logo cedo, deixara a carteira profissional na garagem. Hora de dar baixa do exército de motoristas, um esquadrão de loucos.

Acordar cedo e enfrentar o ar frio das madrugadas nunca foi uma dificuldade. Apreciava andar sozinho pelas vias ainda anoitecidas. Os vira-latas lhe faziam companhia no trajeto. Uma das suas passageiras mais antigas, a Dona Amélia, fizera questão de dar-lhe um bolo de fubá de presente em sua despedida. Toda semana, ela ia toda faceira à reunião do grupo da terceira idade, para se exercitar e dançar. Quanta energia num corpo já envelhecido.

Talvez pudesse ir lá também. Quem sabe? Era viúvo, ainda dava um caldo e precisaria ocupar o seu tempo ocioso. Jogar dominó na praça? Só se voltasse para Sorocaba. Lá ainda tinha este passatempo. No seu bairro, as praças eram abandonadas à própria sorte e sujeira. Encontrar como seguir adiante era o seu novo desafio! “Preciso ter a vida que sempre sonhei para quando envelhecesse, só não lembro quais são os meus sonhos”.       

Conto: Radar de porteiro

Estava observando-a à distância. Marlene. Uma loira pequena, de nariz empinado e voz fina. Sensual e estabanada. Carregava sempre uma bolsa e uma sacola penduradas nos ombros. Pareciam pesar, mas ela se esforçava em transportá-las com elegância quando chegava de manhã ao trabalho. O que estava ali dentro? Eu sabia! As tralhas da academia: tênis, shortinho, um top, a toalha de banho...Ela uma vez já deixara tudo cair na recepção com estardalhaço e falta de discrição.

Marlene devia ter uns 21 anos e fumava. Por isso, estava às 15h33 no jardim daquele prédio comercial. Soltava a fumaça calmamente, isolada dos demais fumantes que também satisfaziam o vício. O celular na mão. Admirava as unhas, pintadas de um vermelho fumegante. Sempre gostava de fumar mais ou menos naquele horário. Como porteiro, eu sabia dos hábitos de muitos dos que estavam ali. No que ela pensava? No trabalho? No cabeleireiro? Eu pensava em tê-la em meus braços, derretendo-se de paixão.  Pensamentos libidinosos não pagam impostos!

Kleber também estava no fumódromo. Um rapaz que trabalhava num decadente escritório localizado no 10º andar, que se achava muito macho e forte, só por causa dos braços tatuados e porque ralava quatro vezes por semana na academia. Sem dinheiro e com dívidas, entretanto. Ontem, eu o ouvira falar ao telefone sobre o quanto o caixa estava zerado, antes de entrar no elevador. Os planos para o feriadão seriam mudados por causa da falta de grana. Muitos músculos e pouco dinheiro. Esta era a conclusão do meu radar de porteiro.

Observador (ou fofoqueiro), vi quando Kleber se aproximou de Marlene, como se fosse um galo de peito estufado, querendo impressionar. Na desculpa clássica de abordagem dos galãs, pediu o isqueiro para a loirinha e puxou conversa.

- Obrigado! Sou um esquecido. Como posso querer fumar sem ter como acender o meu cigarro?

Marlene esboçou uma resposta, mas foi interrompida pelos latidos de três cães que invadiram o jardim e correram em sua direção. Susto e medo. Ela saiu em disparada, na direção da entrada e, para surpresa geral, bateu a cabeça ruidosamente na porta.

Solícito, sai da recepção preocupado com o indesejável acidente àquela hora, abalado pela cena e pela hipótese dela desmaiar. Os cães foram expulsos pelo segurança, mas Marlene estava sentada no chão, meio tonta, sem saber o caminho a tomar. O galo já cantava em sua testa e despontava vermelho. Senti o cheiro do seu perfume adocicado quando me aproximei. Foi então que Kleber veio como um salvador do universo e a pegou prontamente (e sem esforço, diga-se de passagem)  no colo.

- Olá benzinho! Você está bem? -  disse o rapaz.

Senti-me um fracote e desprezei a mim mesmo pelos braços finos e pela tendinite. Ela em apuros e eu deixei passar a oportunidade de ser um príncipe encantado que leva a mocinha nos braços. Encolhi-me de vergonha, enquanto o outro parecia um gigante, o Super-homem da Zona Sul. O que o meu radar de porteiro dizia? Não tinha chance com Marlene!

Kleber a colocara na poltrona da portaria. Alguém lhe trouxe um copo com água fresca. Um cenário marcado pela confusão e preocupação. Um suspiro exasperado saiu da boca da moçoila e um certo mau humor tomava conta de seu semblante. Via-se que estava chateada e envergonhada pelo incidente.

O rapaz parecia mesmo preocupado com a situação. Mas, por que resolvera pegá-la no colo? - pensava a moça. Como um tigre que se solta da jaula, Marlene abriu os olhos depressa, pulou do assento, cambaleou e deixou a ingratidão dar o tom da cena.

“Desculpe. Estou bem. Estou bem. Preciso voltar. Preciso subir. Onde está meu celular?” Falava e andava, enquanto tentava ficar longe dos curiosos de plantão. Kleber ganhou uma pisada doida no pé, o único agradecimento recebido pelo seu gesto com traços de herói. Desprezado pela loirinha ingrata, voltou ao seu cigarro no jardim e lançou um olhar para uma morena gostosa do 8º andar. Precisava de um outro isqueiro...A fila anda e os planos mudam!        

Percebi uma nova brecha para impressioná-la e corri para pegar o celular que estava largado no chão. Cheguei todo prestativo perto de Marlene, que lançou-me um sorriso amarelo e pediu: “Pode chamar o elevador, por favor?”

Mesmo com os sinais de fuga, aproximei-me e arrisquei. Estendi a mão suarenta e toquei o galo na testa da loirinha, com se fosse um leve carinho “Lembre-se de colocar uma pedra de gelo assim que voltar ao escritório, meu anjo”. Anjo? Onde estava com a cabeça? Meu radar já disparava. Tinha passado dos limites e o pior parecia um velho antiquado. A resposta veio cortante: “Pode deixar, tio”. Tio? Eu tinha só 36 anos, não era careca, tinha dentes bem cuidados, 1,76m de altura e em forma, apesar da barriga levemente saliente. Que desaforo! Meu radar assinalava: perdeu playboy! Hora de direcionar meu olhar para outra direção. Que tal a Sonia, do 9º andar? Ou a Tania da padaria? Vou recalibrar as coordenadas! 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Receita: Escondidinho De Abóbora Com Carne Seca

Lembranças! Quando eu ouço falar de escondidinho ou leio a respeito eu resgato na memória a viagem que vi para João Pessoa (PB) há alguns anos, resgato toda a alegria do Nordeste e penso no forró. Ai meu Deus! Como não vou sair dançando agora, o melhor é aproveitar esta receita de Escondidinho De Abóbora Com Carne Seca, enviada pela Bunge Brasil (dona da marca de óleo Salada). Os ingredientes abaixo rendem, aproximadamente, 8 porções de 140g cada.


Escondidinho De Abóbora Com Carne Seca



Escondidinho De Abóbora Com Carne Seca

Recheio de Carne seca
500 g de carne seca
4 colheres (sopa) de Óleo de Girassol Salada (40 g)
1 cebola fatiada (100 g)
3 dentes de alho picados (15 g)
1 tomate maduro, sem pele, sem sementes, picados (120 g)
3 colheres (sopa) de salsa ou coentro, picados (10 g)

Abóbora
500 g de moranga
5 colheres (sopa) de farinha de trigo (32 g)
1 colher (sopa) de Óleo de Girassol Salada (10 g)
2 gemas (40 g)
4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado (30 g)
1 colher (chá) cheia de fermento químico (3,2 g)
2 claras (70 g)
Sal e pimenta-do-reino branca a gosto
1 copo de requeijão (200 g)
Óleo de Girassol Salada para untar


Modo de Preparo
Recheio: Coloque a carne seca para dessalgar. Troque a água várias vezes até que a carne fique com sal moderado e leve para cozinhar até que amoleça bem. Retire do fogo, desfie a carne e reserve. A uma panela leve o Óleo de Girassol Salada para aquecer. Acrescente a cebola, o alho e deixe dourar. Adicione a carne seca, o tomate, o cheiro verde ou coentro, refogue por alguns minutos e retire do fogo.

Abóbora: Descasque a moranga, corte-a em cubos e leve para cozinhar em micro-ondas. Retire e amasse até obtenção de um purê. Junte a farinha de trigo, o Óleo de Girassol Salada, as gemas, o queijo parmesão, misture bem e reserve. Adicione o fermento em pó e, delicadamente, as claras batidas em neve. Corrija o sal e tempere com a pimenta.


Montagem: Unte um refratário médio com Óleo de Girassol Salada, coloque um pouco do purê, em seguida metade do requeijão e toda a carne seca. Cubra com o requeijão restante e o purê de abóbora, polvilhe com o queijo parmesão ralado e leve para gratinar, em forno preaquecido, à temperatura de 180°C, por 10 a 15 minutos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Experiência gastronômica: Goa Gastronomia Saudável

Comer bem é um exercício diário, no qual buscamos equilíbrio no que ingerimos. Acredito que podemos comer doces, massas e outras coisas consideradas engordativas - sempre com moderação. Cada pessoa também tem um paladar, preferências em sabores, o que torna esse universo dos alimentos e da culinária ainda mais rico e diversificado. Não canso de dizer que: ainda tenho muito para desbravar! 

Desta vez, eu voltei a um restaurante no qual fui algumas vezes, na época que eu tinha uma cliente vegana. Marcávamos alguns almoços com a imprensa lá. Por isso, quis voltar ao Goa Gastronomia Saudável (rua Cônego Eugenio Leite, 1152 - Pinheiros) para saber se a comida continuava saborosa e o ambiente aconchegante.


Creme de Legumes com grãos de curry
No Goa,  o ponto forte deles é o almoço com cozinha vegetariana e vegana, com preço único para uma refeição com entrada + prato principal + sobremesa e suco à vontade. Fui no dia 08/10 e o valor estava em R$ 29,90 + 10% de taxa de serviço, que acho acessível para um local tão gostoso de estar e almoçar com tranquilidade (aos finais de semana, o preço é mais alto). 


Spaguetti com molho de abóbora e funghi


Na entrada, tem sempre uma opção de salada ou sopa (mas, eles deixam você comer os dois, se quiser).  Neste dia, eu comi creme de legumes e grãos ao curry, acompanhado de pão integral orgânido do Goa (uma opção vegana, que estava muito boa). Spaghetti de grano duro ao molho de funghi secchi, abóbora e alcachofra foi a escolha de prato principal também vegano. Gostei de ver que abóbora cumpre o papel que é normalmente desempenhado pelo tomate nos molhos. Para encerrar: um delicioso figo assado em crosta de aceto balsâmico e castanhas de caju, sobremesa nota 10. Eu comeria tudo de novo! Limonada caipira orgânica com hibisco, gengibre e betacaroteno foi o suco que escolhi para acompanhar esta refeição.


Sobremesa de figo assado 

Comparando o Goa com o restaurante Banana Verde (ver post), o valor da refeição é mais baixo, o cardápio diário é mais enxuto  (não tem o bufê), mas as refeições são saborosas e saudáveis, como queremos a maior parte das vezes. Aqui também faço a observação sobre o atendimento do garçom. Apesar de simpático, perguntei ao profissional que me serviu como era feita a polenta com quinua (outra opção de prato principal) e ele não soube explicar. Fica dica de antes de abrir o restaurante para o dia, que o proprietário chame o staff e mostre os pratos do cardápio daquele dia.   


Cardápio tem opções para escolher de entrada, suco, prato principal e sobremesa
Aceitam todos os cartões de crédito. Abre de terça a sexta, das 12 às 15h30 e sábados, domingos e feriados, das 12 às 16h30. Boa opção de local de almoço para quem está em Pinheiros ou vai à feirinh da Benedito Calixto.    



Limonada com Hibisco e Gengibre que você pode fazer em casa também 

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