domingo, 14 de dezembro de 2014

Déficit de atenção na infância e o uso abusivo de medicação


Um mundo interativo, conectado 24 horas por dia, e crianças com acesso a um mundo de informações. Este é o cenário no qual, que cada vez, as crianças têm dificuldade em sentar em uma sala e assistir à uma aula. Seja pela rotina geralmente extensa, seja pela falta de controle de pais e professores, o diagnóstico de hiperatividade e déficit de atenção é cada vez mais comum.


O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) realmente existe e pode acometer não apenas crianças, mas também adolescentes e adultos, com sintomas como agitação, dificuldade de atenção e impulsividade excessivas. Mas como diferenciar o transtorno da agitação normal da idade e ambiente em que a criança vive?

Diagnóstico correto

O papel da escola na identificação do problema é bastante questionado e requer cuidados. Antes de concluir que se trata de TDAH e encaminhar o aluno a psicólogo ou neurologista, a escola pode chamar os pais e conversar sobre a possibilidade de se tratar de um transtorno de aprendizado ou ajustar determinados comportamentos que podem ocorrer no desenvolvimento da criança. Mas o diagnóstico e, se necessário, o encaminhamento a um especialista, só devem ser realizados pelo pediatra, explica o dr. Marun David Cury, membro da Diretoria de Defesa Profissional da SPSP - Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

“É da abrangência do pediatra confirmar ou não uma possível dificuldade de aprendizagem, déficit ou outro distúrbio, e isso será feito a partir da análise de todo o histórico do pequeno paciente, desde o pré-natal.”

Em muitos casos, revela o especialista, pode de tratar apenas de um problema de visão ou de audição, que dificultam a compreensão e acompanhamento adequado da aula. Por isso, explica o dr. Saul Cypel, presidente do Departamento de Neurologia da SPSP, é importante que se avalie a criança como um todo, inclusive como têm sido estabelecidas as suas relações sociais, principalmente dentro do ambiente familiar.

Tratamento

A aliança entre os pais, a escola e o pediatra é o primeiro passo para ajudar uma criança com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado. Há casos em que a psicoterapia, ou terapia familiar, podem ser indicadas. O medicamento poderá entrar em cena complementando as opções anteriores. Nestes casos específicos, há medicamentos úteis, mas que devem ser usados criteriosamente, e sob rigorosa prescrição médica.

“Há trabalhos científicos que demonstram que o uso indiscriminado ou abusivo de medicação na infância pode levar resultar em adolescentes mais suscetíveis a quadros depressivos”, acrescenta dr. Fausto. O especialista lembra, ainda, que todo medicamento tem contraindicações e efeitos colaterais. Mesmo quando indicados, podem trazer reações indesejadas, que devem ser monitoradas pelo pediatra ou, se for o caso, por um neurologista ou psiquiatra.

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