quinta-feira, 5 de junho de 2014

MMA e outros esportes de contato aumentam o risco de doenças neurológicas

A popularização do MMA, assim como a prática de outros esportes de contato, aumenta o risco de doenças neurológicas, alerta o neurocirurgião Dr. Antonio De Salles, coordenador do HCor Neuro. Os repetidos socos e chutes na cabeça do atleta, seja  amador ou profissional, causam microtraumas cerebrais que aceleram o desgaste natural do órgão. Assim, doenças neurodegenerativas tendem a surgir precocemente, como mal de Alzheimer, demência do pugilista e mal de Parkinson.

Um dos maiores pugilistas da história, o norte-americano Muhammad Ali, sofre hoje com os tremores característicos do mal de Parkinson. Aqui no Brasil, o lutador Maguila enfrente o mal de Alzheimer. Ambos foram expostos aos repetidos traumas das lutas de boxe. “Os combates de MMA também podem ser muito prejudiciais ao cérebro. O impacto de uma joelhada certeira ou de um chute direto na cabeça causam danos cerebrais imediatamente”, completa o neurocirurgião Dr. Antonio De Salles, coordenador do HCor Neuro.
 
Essas doenças neurológicas dificilmente apresentam sintomas enquanto o atleta é jovem e praticante do esporte. Elas estão relacionadas à idade e tendem a se manifestar após os 50 anos. Contudo, o desgaste acelerado do cérebro pelo esporte de contato pode antecipar o problema.
 
O mal de Parkinson, por exemplo, atinge cerca de 1% da população com idade igual ou superior a 65 anos. Conforme a sociedade envelhece, a doença deve se tornar cada vez mais comum. Segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população idosa deve triplicar nos próximos 20 anos, saltando de 22,9 milhões para 88,6 milhões.
 
Progressão da doença

“A fase inicial da doença, conhecida como honeymoon period, pode durar de quatro a 10 anos. Nela, o paciente tem controle completo ou quase completo dos sintomas parkinsonianos apenas com medicação e fisioterapia. As limitações começam a surgir geralmente após o quarto ou sexto ano do diagnóstico. Os sintomas se tornam mais difíceis de serem controlados”, afirma a Dra. Alessandra Gorgulho, neurocirurgiã e coordenadora do HCor Neuro.
 
Nessa fase, os pacientes apresentam as discinesias (movimentos involuntários após a ingestão da medicação) e as flutuações ON/OFF (oscilações no controle das funções motoras).
 
Cirurgia precoce

A cirurgia traz grande beneficio aos pacientes nesse período. Publicações científicas de impacto mostram que a indicação cirúrgica mais precoce resulta em melhor qualidade de vida e em mais controle das funções motoras, em comparação ao manejo exclusivamente com medicação.
 
Quando o paciente encontra-se na fase tardia e final da doença, a cirurgia não traz benefícios significantes. Os melhores resultados acontecem em pacientes com menor tempo de doença e que tenham as funções cognitivas preservadas (não dementes e sem alterações emocionais importantes).
 
Como é a cirurgia  

A cirurgia consiste na colocação de eletrodos no tecido cerebral em núcleos envolvidos com o controle do inicio e da execução de movimentos. Isso faz com o tremor seja controlado e com que a rigidez diminua, possibilitando ao paciente uma regressão da doença em 10 a 15 anos. A estimulação elétrica cerebral é uma técnica cirúrgica reversível, ou seja, uma vez interrompida a estimulação, não existem efeitos permanentes no cérebro.
 
Existem hoje mais de 100 mil pacientes implantados para esse tipo de doença no mundo. Complicações são raras e a execução da cirurgia é minimamente invasiva. A bateria (gerador ou marcapasso) dura em torno de 5 anos e a cirurgia de troca do marca-passo é muito semelhante à troca do marca-passo cardíaco.

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