quinta-feira, 13 de março de 2014

Saúde: Por que sofro com a insônia?


A privação do sono é uma situação comum, que ocorre quando não dormimos o suficiente. Desenvolve-se, também, em curtos períodos de tempo, o que denominamos privação parcial do sono. A quantidade de sono ideal varia de pessoa para pessoa, porém, em média, a maioria dos adultos necessita de sete a oito horas de sono a cada noite, a fim de sentirem-se descansados e alertas no decorrer do dia seguinte. Jovens podem necessitar de nove horas ou mais de sono, dependendo da idade.  

O principal efeito da privação do sono é a sonolência excessiva diurna. Situações entediantes e monótonas levam a pessoa a cochilar e dormir, acarretando prejuízo na vida cotidiana e, sobretudo, no trabalho. A privação grave do sono pode expor a pessoa a situações de risco à  própria vida e de outros, como nos acidentes de trânsito. Há várias outras implicações. Manifestações como humor deprimido, irritabilidade, desmotivação, ansiedade, vigilância diminuída, prejuízo da cognição, diminuição de reflexos, menor concentração, fadiga, cansaço, esquecimento e distração, podem ocorrer.

Para explicar sobre o tema, o blog Glamour e Felicidade entrevistou Dr. Bruno Bernardo Duarte (CRM 113.370), Otorrinolaringologista, Responsável pelo Ambulatório de Ronco e Apneia do Sono do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital da PUC-Campinas e Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Sono,  sendo Doutorando pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

 Como o estresse afeta a qualidade do sono?
 O estresse afeta a qualidade do sono de diversas formas, sempre na direção de prejudicar sua qualidade. O estresse emocional agudo ou crônico pode levar a um estado de ansiedade. A ansiedade é um estado que pode levar à dificuldade de dormir, apesar do indivíduo estar com sono (propensão ao sono), que é denominado insônia. A insônia pode ser inicial, ou seja, dificuldade para pegar no sono, mas, ao entrar no sono, tende-se a dormir horas adequadas. São aqueles momentos em que o indivíduo fica várias horas na cama sem conseguir adormecer. Ao mesmo tempo, o estresse emocional, principalmente crônico, pode levar a um estado de depressão, que, por sua vez, pode levar a uma insônia. Esta insônia pode ser inicial, como nos casos de ansiedade, mas geralmente é terminal. A insônia terminal é caracterizada pelo indivíduo conseguir pegar no sono e despertar antes da hora desejada, no meio da madrugada, e não conseguir dormir mais, apesar da propensão ao sono.

Além disso, o estresse pode levar ao consumo excessivo de álcool, drogas e medicações ansiolíticas que interferem na quantidade e na qualidade do sono.
Para finalizar, a quantidade e qualidade de sono reduzidas levam a uma privação de sono, ou seja, dormir menos horas que a necessidade individual. Esta privação do sono tem diversas consequências e  sintomas, como por exemplo a irritabilidade. Esta irritabilidade pode acentuar os quadros de estresse. Ou seja, cria-se um ciclo vicioso prejudicial ao indivíduo.


Quais doenças afetam a qualidade do sono?Existe uma gama muito grande de doenças propriamente do sono, que prejudicam o processo de dormir, e doenças que secundariamente afetam o sono. As doenças do sono podem ser Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, Roncos, Movimentação periódica de pernas durante o sono, Pesadelos, Sonambulismo, Bruxismo, Insônias, Hiperssonolência, e diversas outras. Cada uma com sua característica peculiar de ocorrer durante a noite de sono. Entretanto, diversas outras doenças podem interferir secundariamente no sono, causando conseqüências importantes. É importante salientar que, nestes casos, a doença de base deve ser tratada prioritariamente, porque seu tratamento pode recuperar a qualidade do sono por consequência. Exemplos são diversos, tais como:  Doença de Parkinson, Mal de Alzheimer, Distúrbios Psiquiátricos Diversos, Abuso de Substâncias Ilícitas, Obesidade, entre outras.
 

Quais são os diferentes tipos de medicamentos usados para induzir o sono e seus modos de ação e efeitos colaterais? 

As medicações que têm a função de induzir ao sono evoluíram bastante nos últimos anos e DEVEM ser prescritas por MÉDICOS que sabem tratar doenças do SONO. 
A classe dos benzodiazepínicos, como por exemplo, diazepam, alprazolam, clonazepam e outros, são medicamentos com ótimo efeito para induzir o sono, porém, possuem característica de causar dependência, que é a capacidade de causar crise de abstinência, e tolerância, que é a necessidade de periodicamente aumentar a dose para causar o mesmo efeito. Além disso, eles possuem outras funções além de induzir o sono, como diminuição da ansiedade e relaxamento muscular. 


Os hipnóticos não benzodiazepínicos, como o zolpidem, possuem apenas o efeito de indução do sono, sem apresentar dependência química e tolerância. É a classe de medicamentos mais prescrita para indução do sono no mundo, porém é importante salientar, que devem ser prescritos com rígido controle e necessidade, por um profissional capacitado. 


Existem diversas outras classes de medicamentos, que possuem efeitos diversos, como fitoterápicos e antidepressivos.


A prática de atividade física pode melhorar a qualidade do sono? Em caso positivo, quais favorecem e quais podem desfavorecer.
Já está comprovado que a realização de atividade física diária melhora a qualidade do sono em todas as faixas etárias. Não há estudos que demonstram com propriedade científica diferenças entre as diversas modalidades esportivas. O que já se é sabido há um bom tempo é que a atividade física realizada próximo da hora de dormir (até 1h30min) prejudica a qualidade do sono, geralmente levando a um quadro de insônia inicial  por causa da liberação de hormônios estimulantes da vigília liberados durante o exercício.


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