domingo, 8 de setembro de 2013

Caso Nicole - A realidade no tratamento do câncer é bem melhor que a ficção

Para pacientes, seus familiares e amigos, a novela Amor à Vida perdeu a chance de desmistificar o câncer como sentença de morte, confirmo isso pois tenho hoje uma pessoa da família em tratamento, além de uma amiga muito queria, que batalham e não perdem a esperança.  Por isso, faço questão de publicar este material que recebi sobre o tema, com comentários de um oncologista e de uma pessoa que passou pela situação: Larissa Meira, autora do blog  espremendoolimao.blogspot.com.br.

O linfoma de Hodgkin acomete especialmente indivíduos entre 20 e 30 anos de idade, e em outras faixas etárias é em menor frequência. O tratamento é feito com quimioterapia associada ou não à radioterapia, sendo a chance de cura nos estágios iniciais em torno de 80 a 90% e, nos estágios avançados, de aproximadamente 60 a 70%. Diante desse cenário otimista, é muito difícil entender o motivo que levou o "médico" da novela "Amor à vida" garantir apenas 6 meses de vida para a personagem Nicole. Para os pacientes da vida real já existe uma infinidade de tratamentos que a cada dia elevam a expectativa de vida para quem sofre com o linfoma ou até mesmo outros tipos de câncer. 


A jovem Larissa Meira descobriu o Linfoma de Hodgkin aos 19 e hoje, aos 26, conta que em nenhum momento os médicos a trataram como se a doença fosse uma sentença de morte. "Em momentos complicados do tratamento, durante a descoberta de uma recidiva em 2009, houve muitas incertezas sobre a minha resistência a doença. Ao ver que a doença havia voltado de forma avançada mesmo após o transplante em 2008, em menos de um ano após o tratamento, meu médico foi sincero ao me alertar de que se não houvesse uma solução eficaz, dificilmente eu passaria dos oito meses. Mas a perspectiva dele ao dar essa notícia não foi de dar um sentença mas de acordar para a urgência do caso. Lembro das suas palavras ainda: - Temos oito meses para achar uma medula para você Larissa. Graças a Deus, pouco tempo depois foi encontrado um tipo de transplante entre irmãos menos incompatíveis que realizei em fevereiro de 2010. Aprendi que o médico pode ser verdadeiro e dar esperança ao mesmo tempo. Acredito que essa não foi a intenção da trama", relembra Larissa.


No caso da novela, o médico tirou as esperanças da jovem logo de início e em pouco tempo, para dramatizar ainda mais o caso, a personagem foi acometida por uma metástase pulmonar piorando ainda mais o quadro mas, na realidade, nem mesmo uma metástase seria motivo para tirar esperanças de um paciente. "O envolvimento pulmonar pelo Linfoma de Hodgkin configura uma situação de maior gravidade aos pacientes. Entretanto, os resultados não são ruins e existe possibilidade de resposta com o transplante de medula óssea e o emprego de uma droga nova, o brentuximabe", afirma o oncohematologista Celso Massumoto.

Outro debate levantado pela novela foi o fato da atriz não raspar a cabeça o que causou a revolta de muitos pacientes em tratamentos, especialmente porque nem toda quimioterapia significa raspar a cabeça. "Era uma boa oportunidade de acabar com o drama que as pessoas fazem em torno do cabelo. Eu tive câncer, fiz quimioterapia e não fiquei careca. Quando será que as pessoas vão parar de achar que ter câncer significa apenas ficar careca e morrer? Cabelo é o de menos para quem está lutando pela vida", diz Ana Soares que descobriu um câncer de mama aos 28 anos.

"Ao meu ver, Nicole nada mais é do que uma visão da grande massa brasileira sobre o que é câncer. Isso é lamentável. Não culpo o escritor por pensar assim, mas acho que existem melhores usos dos meios de comunicação. Que o câncer é uma doença muitas vezes cruel, todos nós já sabemos. Que é uma doença que tem tratamento e na grande parte dos casos, cura, também sabemos. Mas quem vai querer investigar um sintoma que pode ser de uma doença grave se a "menina da novela" morreu menos de seis meses depois que descobriu a doença? Infelizmente optou-se pela ignorância", finaliza Larissa. A jovem está com 26 anos, curada e recentemente tornou-se mãe da Maria Rosa. A realidade é muito melhor do que a ficção.


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